domingo, 16 de junho de 2013

Sexualidade: Sair ou não do armário?

Se tem uma pessoa que pode falar sobre esse tema com tranquilidade essa pessoa sou eu. Tive no armário por breves períodos, em momentos em que era mesmo para me salvar, mas nunca foi a situação que me sentia confortável e protegida, era angustiante para mim pensar que estava mostrando algo que não era eu. Portanto, rapidamente, tratei de enfrentar tudo e todos e pagar o preço, que não foi baixo, por escolher viver fora do armário o máximo possível.

Daí alguém vai dizer! Mas você ficou no armário durante quase cinco anos aqui no blog. Não nego que era uma espécie de armário, mas só algo parecido, já que nunca tentei aparentar algo que não era. A minha vida não é o blog, o blog é uma parcela ínfima do que sou como pessoa, aqui é apenas um lugar que coloco alguns dos meus pensamento. No meu cotidiano não vivo em armários. E se a gente for cavucar mesmo a vida de cada blogueiro, vai me dizer que todos contam absolutamente tudo de cara? Claro que não, a gente vai conquistando nosso espaço, os leitores, para depois abrir as questões mais densas. Se tem exceções? Tem, sim!! Eu mesma no meu primeiro blog, assumi de cara desde o primeiro post que era transexual e ainda colocava meu nome completo e foto. Acho que tive mais problemas em colocar meu nome todo, do que propriamente com a questão trans.

A novela Amor à Vida trouxe um tema interessante que é questão do personagem Félix, um gay não assumido, de armário, que se casou com uma mulher para levar uma vida de fachada. É bom quando novelas colocam temas polêmicos, porque a sociedade passa a debater a matéria. Debates normalmente levam a esclarecimentos e acho válido, mesmo que o formato de novela seja algo direcionado para um pessoal que não quer pensar muito. Mas nada contra, sou noveleira assumida.

Há muitos anos atrás, quando eu me apresentava como um gay na sociedade, já era assumida(o) no trabalho, em casa, para os amigos. Nunca criei relacionamentos e historinhas para fingir ser quem não era. Se sofri por conta disso? Muito! Porque tudo isso foi numa época em que a violência contra os gays era a mesma de hoje, o preconceito era escancarado, não existia o politicamente correto para amenizar nada e não exista na sociedade nenhuma representação ou luta pela causa gay, então era cada um por si. Sofri muito sim, mas acho que mesmo assim ainda valeu mais que ficar no armário

Engana-se quem acha que transexual é aquela que desde pequena se veste como mulher e chega na adolescência toda feminina. Principalmente as trans da minha geração foram muito sufocadas por um preconceito mais pesado. Diria que a grande maioria das trans da minha idade simplesmente não conseguiram se assumir, muitas formaram uma família no papel de homem, vivendo vidas falsas, completamente infelizes. Eu conheço inúmeras histórias. 

Pela minha experiência, paguei um preço mais alto, bem mais alto por me assumir transexual, do que quando me assumi gay, parece que a sociedade ainda segrega mais que tem a minha questão sexual. Mas não é algo que possa afirmar com certeza, só que comigo senti que foi assim.

Sei que o que vou dizer pode gerar uma polêmica, mas se digo é porque tenho conhecimento do assunto, pois vivi. Posso entender porque uma pessoa viveu no armário há trinta anos atrás. Já que a sociedade era bem outra, você não tinha nenhum apoio externo. Mas não consigo entender muito bem o motivo de uma pessoa viver no armário nos dias de hoje, em que sair do armário ajuda da luta contra o preconceito, já que tem tantos movimentos a favor do questão LGBT, já que a mídia ajuda, o politicamente correto ajuda. Ficar no armário é simplesmente lavar as mãos, é dizer que aquela causa não é sua, é não colaborar em nada, é deixar o "trabalho sujo" nas mãos dos outros. Se você não quer levantar bandeiras, ir a passeatas e etc, tudo bem!! Mas é essencial ser verdadeiros consigo mesmo e com quem te rodeia, com as pessoas que fazem parte da sua vida. Já pensou que você pode não mudar uma sociedade, mas pode mudar a cabeça de algumas pessoas?! Eu mudei!!

Não assumir sua sexualidade ou questão de gênero, é bem como disse a jornalista Barbara Gancia: "A pessoa tem todo o direito de ficar no armário, ela não é obrigada a abraçar nenhuma causa,  mas ficando no armário, ela só está exercendo mesmo o direito de ser infeliz sendo quem não é". Amei essa frase porque resume tudo que acho e vivi a respeito. E sonho com o dia que todos possam sair dos seus armários com menos dificuldades.

36 comentários:

  1. Sobre o armário sou da mesma opinião da Barbara Gancia, mas compreendo quem faz a opção de não sair... Ah umas duas semanas peguei um contrato com a prefeitura e estou dando aula a umas turmas de 6º a 9º ano - ou de 5 a 8ª serie - e é pal a forma como os alunos tratam os meninos gays da sala... Todos os dias dou bronca, lição de moral o que posso, porque resolvi comigo mesma não agir como se nada tivesse acontecendo e fosse normal xingar alguém, mas desconfio que não há bronca/lição de moral ou derivativo que resolva. Talvez resolvesse se a escola toda investisse nisso, mas na sala dos professores vejo que a maioria dos professores ou é contra a homossexualidade por convicções religiosas ou prefere fingir que não ver e a gestão não quer tocar nesses assuntos....

    Tenho a impressão que essas crianças vão sair da escola tão traumatizadas que se entrarem no armário vai ser plenamente justificável. Aliás, pela postura dos professores - que deveriam ser pessoas politicamente corretas - e dos alunos - que são reflexo do mundo no qual vivem, porque criança e adolescente é esponja absorve tudo o que há em torno e devolve sem filtro - to começando a achar que o politicamente correto só acontece no facebook, na vida as minorias continuam se quebrando.

    É preciso muito peito para se assumir, muita coragem para enfrentar o medo... sei lá... Deve ser difícil para quem está no armário e para quem está fora dele também.

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    1. Sofri coisas bem piores na minha época de colégio Pand e te digo que mesmo assim valeu a pena sair do armário. Continuo em cima do lema que viver dentro do armário pode até parecer confortável, mas definitivamente não faz ninguém que está lá dentro feliz, pleno.

      Beijocas

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  2. A proposito, to começando a achar que foi uma péssima ideia colocar um vilão gay, acho que tudo que as crianças e adolescentes gays que dão "pinta" não precisam é de serem associadas a um vilão de novela das oito... A situação deles sem serem associadas a um vilão já não é fácil, com isso fica pior!!!

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    1. Não acho, muito pelo contrário. Acho que colocar um vilão como gay, para de tratar os gays como coitadinhos que precisam estar sempre no papel de mocinhos perfeitinhos com vidas perfeitinhas.

      O vilão nada mais é do que nós mesmos vistos de perto, como nossos defeitos e desejos. Acho super válida essa idéia do autor da novela.

      Beijocas

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    2. A princípio eu também achei legal Dama, mas atualmente venho repensando isso.

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  3. Dama! Eu vivi até os meus 30 anos no armário. Um armário relativo pois eu não me assumia para mim mesmo ... meu círculo de família e amigos todos sabiam e, de uma certa forma torciam para q eu me abrisse ... Qdo saí e forma definitiva vi o qto tinha sido imbecil e o qto sofri por absoluta covardia ... fui aceito por todos sem nenhuma restrição, pelo contrário ... todos já sabiam mas tinham um certo receio de tocarem no assunto pq eu me trancava ... Nunca sofri nenhum tipo de preconceito, não sei o q é isto, seja em casa, família mais ampla, escola, trabalho, amigos. Hoje, mais do q nunca, sou mais transparente ainda ... Sou de uma geração bem anterior à sua pois sou de 1950. Engraçado, pela minha experiência aqui em BH, o preconceito por aqui era bem menor q hoje ...

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    1. Quando escrevi esse post pensei bem em você. Porque sei que é de uma geração que as coisas eram bem difíceis e acredite que a minha geração não está tão distante da sua... rs.

      Já ouvi relatos de pessoas até mais velhas que você que dizem que não sofreram preconceitos. Creio que sejam casos isolados já que a regra, infelizmente não é essa. Eu sofri muito preconceito pesado, dentro de casa, no trabalho e na escola então foi traumatizante, sobrevivi, mas não sem as sequelas de tudo isso, mas dá para administrar.

      Beijocas

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  4. Sair do armário deve entrar na aquela situação nada vai igual como antes. Apesar do politicamente correto e afins...

    Mas durante o texto sabe um post que eu acho que seria legal? Qual foi a primeira vez q vc se vestiu de mulher? Lembrei de um filme que fala do cara q pensou, arquitetou e contruiu o FBI e só para variar eu esqueci o nome.

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  5. Hoje em dia as possibilidades de suporte para quem é GLBTWXYZ6668900 é bem melhor do que alguns anos atrás, e nem falo de tanto tempo assim, acho que mesmo com relação aos anos 2000 que foi o período em que vivi minha adolescência, já há uma mudança interessante.

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  6. Com certeza o tema homossexualidade está sendo mais debatido pela mídia e em redes sociais, nos ultimos anos. Porém, mesmo com essa visibilidade apresentada pela mídia, sair do armário ainda é uma questão delicada. Veja bem, existem casos e casos, famílias e família, ambientes e ambientes. Eu vivo em uma família/cidade em que ser gay é algo errado, doentio etc... por isso ainda vivo no armário. Espero o momento em que estiver totalmente independente para poder chegar aos meus pais e dizer que sou gay. Acho que se você tem amigos, irmãos, familiares que te apoiam a coisa certa a fazer é sair o quanto antes do armário e viver uma vida saudável. Mas, se você não tem qualquer apoio de nenhum lado, talvez a melhor alternativa seja mesmo ficar no armário e esperar uma oportunidade em que você esteja mais seguro. Abraços Dama!

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  7. Eu ouço muitas histórias interessantes,algumas tristes,outras de superação,enfim, por conviver e participar diretamente da vida de vários gays(assumidos e não assumidos),e sei o quanto eles rebolam pra acomodar suas vidas "dentro dos padrões",afinal,ninguém, quer ser excluido,discrimoinado,julgado,ninguém quer(nem deveria) sofrer preconceito,mas todos almejam exercer sua sexualidade de forma plena,encontrar um parceiro,viver suas opções e ter direito à felicidade..e pq é tão complicado,meu Deus????Pq???Não deveria ser.
    Até concordo que já se evoluiu bastante nesse sentido,mas ainda não é o suficiente.

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  8. Tenho a mesmo opinião da Bárbara Gancia. E incluo nessa opinião, também, as mulheres heteros.
    Todos nós, que não somos da maioria dominante (leia-se "sociedade patriarcal dominada por homens heteros e com leis feitas para e por eles") pagamos um preço por sair do armário e assumirmos quem somos. Se isso for contra as regras socialmente impostas, o preço vai aumentando de acordo com o "quanto" isso vai contra a noção de "normalidade".
    Eu vi amigos gays sofrerem com isso, já fui até "namorada de fachada" para amigo, daquelas que ia nas festas de família. Vi amigas lésbicas sofrerem com isso, vi até a mãe de uma dizer que não aceitava "essa aberração" em seu leito de morte. Vi amiga trans ter que sair do Brasil para poder ter uma vida normal como mulher.
    As coisas mudaram? Ano passado um amigo mais novo, de 25 anos, foi expulso de casa pq assumiu o namoro com um homem.
    E eu mesma, mulher, hetero, já perdi namorado pq assumi quem eu era e com quantos já havia transado (e isso foi na segunda década dos anos 2 mil!!!).
    As coisas mudaram? Não sei se tanto quanto eu gostaria... Mas acho que vale mais a pena pagar o preço de assumir quem se é e ser verdadeiro consigo mesmo, do que viver uma vida falsa, teatral. Qualquer escolha envolve um preço a ser pago, eu prefiro ser quem sou e fim, do que pagar o preço de atuar cotidianamente e viver uma vida de fachada.

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  9. Dama, como sempre um texto primoroso! É importante a reflexão da Barbara Gancia, não conhecia.
    beijos e boa semana
    Jussara

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  10. Dama,

    Sei bem o que é viver no armário. Se bem que, relativamente, pois meus amigos e minha família já sabem (só minha mãe que não fala muito sobre esse assunto, pois ela ainda acredita que eu vá mudar de ideia.)

    Olha, anteriormente, eu escondia sim da grande maioria, porém hoje em dia, eu não escondo mais. Não saio falando aos quatro ventos da minha orientação, mas se alguém me ver abraçada ou por um acaso descobrir, não fico encanada mais não.

    O único armário que ainda escolhi me proteger é do local onde eu trabalho. Não da empresa que sou contratada, porque eu trampo em uma empresa multinacional de locação de veículos (neste local, quase 80% são mulheres, graduadas, da geração Y, portanto muitooooooooooo flexíveis), mas dentro de outra empresa, neste caso, uma gigante seguradora de autos. São muitos homens trabalhando por lá, e deus do céu, se você visse o quanto são machistas, ogros, ignorantes... Até as mulheres (as poucas existentes) têm um pensamento cruel...

    Gostaria muito que pensassem de outra forma, mas naquele local, eu não teria chance nenhuma... Eles falam dos gays com uma revolta latente sabe? E quanto às lésbicas, a maioria diz que isso é falta de um homem que não soube tratá-la como uma mulher deve ser tratada. Monstruoso isso. Se bem que eles me chamam de "mulher letrada" e não falam essas coisas perto de mim. Apenas entre eles, mas é que acabo escutando...

    Definitivamente, não sou completamente infeliz nestas condições. Estaria exagerando, porém fico chateada com esses pensamentos retrógrados e violentos que vejo intensamente por aí. Isso sim me revolta. Mesmo que as pessoas não achassem o amor entre duas pessoas do mesmo sexo algo natural, mas respeitassem, isso sim já seria um grande avanço...

    Beijos

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  11. Dama, eu trabalho na área da educação e é triste como o preconceito é grande nas escolas, os adolescentes são cruéis com aqueles que não fazem parte dos ditos "normais" e isso vem de casa. Ser a favor ou contra é uma questão, agredir física ou verbalmente uma pessoa é outra. Nós professores sofremos também em ver tanto preconceito e em ver os adolescentes sofrendo por ter uma opção sexual diferente da maioria. Mesmo com todas discussões, informações ainda acho que essa realidade está longe de acabar. Muito bom seu post!!! Um abraço!!!

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  12. Dama, acabo de ler ma reportagem que saiu hoje na Folha, caderno Ilustríssima sobre um garoto que aos dois anos de idade começou a se comportar como menina. Depois de inúmeros diagnósticos errados, começou a ser acompanhado como uma criança transgênero. Hoje aos 10 anos, ela toma supressores hormonais e aos 16 poderá por si mesma decidir e fazer a transição definitiva.
    Apesar do "choque" dos pais, rompimento com alguns familiares, hoje está bem.
    Fiquei fazendo um paralelo com a tua ( minha também ) geração, as anteriores e hoje vendo que já atendimento especializado para estas crianças, o sair do armário, além de tranquilo, é orientado o que certamente é um marco.
    Sabe se aqui no Brasil, já temos acompanhamento para crianças? Beijo

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    1. Pois é Ana Paula, os casos que vi nesse sentido são em países com uma cultura menos machista, como Holanda por exemplo. Aqui no Brasil não conheço caso semelhante, mas seria o ideal. Quem sabe no futuro?

      Beijocas

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  13. São tantas histórias de terror que a gente ouve, conhece de perto ou vê nos jornais, que acho compreensível que muitos permaneçam no armário. O fato é que certas pessoas são mais fortes que as outras; mesmo entre aqueles que nada tem a temer sempre há os que ousam mais, os que se atrevem a afrontar convenções (grandes artistas, por exemplo) e abrem caminho para que o resto do rebanho passe. Cada um tem o tempo certo de se assumir (até porque o mais difícil é assumir-se pra si próprio), normal que seja assim.

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  14. Complicado essa questão de sair do armário, acredito que muitos não saem por medo e insegurança, aí vão ficar a vinda inteira fingindo ser o que não são. Tenho pena.
    Bjux

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  15. Cris, eu não se é porque trabalho e ainda moro em Pelotas, mas posso te dizer que aqui ( entre meus colegas professores ) a aceitação é muito grande. Já havia dito que nas escolas onde trabalho e pelo que pude observar tem muito Jovem saindo do armário e não vejo muitos problemas não.

    Por outro lado e você sabe que vou me mudar de cidade. Nesta cidade para onde vou a coisa é bem diferente e tenho muito medo de encontrar o ambiente como a Pandora descreve no comentário. Depois de tudo que aprendi com você sobre o assunto eu não aguentaria e não admitiria preconceito entre meus alunos. Dia desses numa conversa com colegas eu tentei explicar a diferença entre Gay, Travesti e Trans. Parti do que você escreveu no blog e alguns ficaram surpresos pois não sabiam. Dai eu falei que muitos dos nossos alunos poderiam estar nessas condições, porque o mundo não se a heterossexualidade, e ficaram pensativos.

    Tem muita gente no armário no que se refere a essa questão. Penso que para sair do armário tem que passar por vários processos. Primeiro a pessoa tem que se aceitar como é. Gostar de si mesma. Depois tem que ter coragem o suficiente para não dar a mínima para que o que a sociedade convenciona.

    Não é fácil um processo desses. Muitos preferem a infelicidade e o mundo de aparências. Mesmo que eu não tenha problemas quanto a orientação sexual, passei por um período muito longo de crises existenciais onde não aceitava a minha personalidade do jeito que era. Queria moldar em mim uma personalidade que os outros achavam melhor para mim. Não gostava das coisas da maioria, da moda e das convenções e sofri muito para me aceitar como sou e perceber que podia viver para mim. Acho que tudo começa na aceitação de si mesmo.

    Muito bom o seu texto!

    Beijos!

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  16. Concordo muito com você. Hoje em dia ainda é difícil de assumir homossexual ou trans, mas ao se assumir pelo menos a pessoa ajuda sendo "mais um" a ter uma vida normal, constituir a família que quiser, amar quem quiser e acabar com esta idéia de "o que é diferente é errado".

    Digo o mesmo para os transtornos de personalidade, que usando da analogia do armário, quando alguém não se assume, deixa que a sociedade só pense em alguém com transtorno associando aos casos gravíssimos de hospitais.

    Bem, tomara q eu tenha sido clara... hehehe

    bjos!

    eilan

    borderline-girl.blogspot.com

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  17. Já sinto a brisa correndo fora do armário, Dama...

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  18. Desculpe me intrometer novamente, porém diante de de algumas respostas, venho aqui perguntar: muito fácil para um hetero dizer que não viveria de fachada, teatralmente, escondendo algo da sociedade, etc, etc, etc...

    Digo: não é fácil. E relendo outras respostas, vejo que alguns têm mais empatia para visualizar a questão, já que isso envolve vários níveis de entendimento...

    Não tenho problemas quanto a minha orientação e basicamente não tive problemas em me aceitar, atualmente nem ligo para o que as pessoas pensam.

    SIMPLESMENTE, acredito que em qualquer lugar que estamos ou iremos, não há necessidade de ficar levantando bandeira e muito menos gritar às pessoas do nosso lado que a nossa orientação é diferente...

    Eu não me escondo. Eu sei exatamente do que eu gosto, eu não tenho problemas psicológicos e muito menos vivo de fachada e nem teatralmente...

    Frequento lugares heteros, basicamente ando de mãos dadas na rua, faço carinho sem vulgarizar... enfim, sou discreta...

    É muito fácil para muitos dizerem que tem que dar as caras mesmo. Não é por aí. Existem amigos meus que estão desesperados e passando por ajuda psicológica pela pressão aterrorizante da sociedade.

    Beijos Dama.

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    1. Turismóloga, não creio que a pessoa em questão tivesse a intenção de minimizar a dor de quem passa por situações que passamos, até porque eu a conheço bem. Acho que ela quis mesmo só expor sua opinião segundo suas vivências. O próprio Bratz lá em cima disse que não passou por preconceitos na vida, sendo gay, mesmo sendo de uma geração em que as coisas eram bem piores, cada pessoa vê a situação de acordo com o que experimentou, vivenciou, ou assistiu a sua volta.

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  19. Eu não imagino essa situação, mas eu posso calcular que deve ser uma situação de infelicidade: ser quem você não é! Triste mesmo...

    Eu fico feliz que você tenha assumido e consequentemente escolhido ser feliz!!!

    Beijocas, Dama Chris.

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  20. Chris:

    Eu vivi no armario até entender que só conseguiria respirar fora dele e não me arrependo apesar dos sofrimentos que foram causados até atingir um certo grau de esclarecimento e maturidade, viver é sofrer sempre, infelizmente nem tudo é fácil mesmo, mas o importante é buscarmos nossa felicidade com ou sem armários.

    Beijo e lindasemana

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  21. Dama que complicado né?!
    Eu realmente não consigo imaginar como deve ser difícil ir contra a maré dessa forma. Respeito demais quem "sai do armário", convivi com um amigo que demorou um pouco para se assumir e todos nós AMIGOS já sabíamos, mas deixamos ele fazer isso no seu próprio tempo.

    Imagino quem tem que entrar em guerra por isso, deve ser bem complicado, por isso acho que quem está no armário ainda merece e necessita de mais apoio!

    Será que um dia isso não será mais um problema?! Eu queria estar viva para ver esse dia chegar! Tem tanta coisa precisando de nossa atenção né?
    Sexualidade já deveria ser tratada com mais naturalidade!

    Beijo enorme Dama, te respeito e admiro demais!

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  22. Certo dia, aos 10 anos, um amiguinho uns poucos meses mais novo com quem eu sempre brincava propôs fazermos uma daquelas "brincadeirinhas" que muitos meninos um dia fazem. Estávamos sozinhos em casa, tiramos a roupa e ele me chupou. Aí pediu que eu o chupasse e disse que queria me ensinar uma coisa. Pediu que eu me deitasse de bruços, deitou-se por cima de mim e enfiou o "pintinho" no meu ânus. Depois pediu para que eu fizesse o mesmo com ele. Eu era muito infantil e não via maldade. Para mim acho que era mais uma brincadeira de descoberta do corpo. Inegavelmente aquilo nos dava satisfação e prazer, um prazer infantil, um estreitamento de laços de amizade com o companheirinho. Passamos a fazer aquilo sempre que tínhamos oportunidade e experimentávamos novas e agradáveis sensações. Deitávamos em cima um do outro e ficávamos roçando nossos pênis e nos beijando na boca, sentindo nossas línguas, nossos membros e nossos corpos.
    Era para ter acontecido umas poucas vezes, mas o tempo foi passando e nos permitimos continuar, pois sentíamos que ficava a cada vez mais gostoso.
    Já tinha uns treze anos e meu colega isso ou quase isso quando certa vez, nessa nossa brincadeira, nos descobrimos púberdes. Éramos tão infantis e ingênuos que foi surpresa para ambos. Simplesmente não imaginávamos que aquilo podia acontecer.
    Dali em diante não era mais uma simples brincadeira, mas sim relações sexuais completas, com felação e penetração mútuas que continuaram até os 17 anos.
    Nunca achamos que estávamos apaixonados ou “gostando” um do outro. Tínhamos nossas namoradinhas, tivemos nossas primeiras experiências com o sexo oposto nessa época, mas quando batia a vontade, o desejo, o atraso, procurávamo-nos para nos satisfazer. E era apenas isso: prazer e satisfação. Muitas vezes nós mesmos fazíamos troça dizendo que aquela “viadagem” tinha que acabar.


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    1. Uma experiência bem diferente, diria única.

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  23. Boa Noite:
    Fico triste lendo coisas que ainda anda em questão por causa da maldita sociedade
    com tanto preconceito.
    E inadmissível que num Pais onde deveria ter respeito ainda vive na era
    de 50 anos atrás.
    Eu respeito a individualidade de cada um ,
    pois para mim somos todos iguais perante a Deus.
    Siga se amando sempre e pense somente em você
    a vida é sua é você que deve cuidar.
    Com certeza conte sempre comigo meu coração não suporta ver constrangimento
    ninguém merece.
    Um abençoado final de semana beijos,Evanir.

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  24. Eu acredito que deve ser doloroso ficar dentro do armário né? Tive um amigo que demorou um pouco para tomar coragem!
    Nossa turma respeitou o tempo dele, mas não sei se todos são assim! Por isso a insegurança!

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  25. Dama!

    A discussão do tema foi boa, hein! Legal os comentários e o compartilhamento de experiências! =)

    Tem uma música linda de Jorge Vercillo, que diz o seguinte:

    "Dois meninos num vagão e o mistério do prazer, Perigoso é te amar, obscuro querer. Somos grandes para entender, mas pequenos para opinar. Se eles vão nos receber é mais fácil condenar ou noivados pra fingir..."

    Acho que é bem isso que acontece. O ser humano necessita de maturidade para entender / aceitar a sua própria sexualidade. As vezes a questão "armário" é algo mais interno do que externo. Mesmo porquê acredito que quando o gay está em plena aceitação, ele luta por suas causas involuntariamente. Sem precisar levantar bandeiras, brigar, chorar. Não que seja mais fácil reagir ao preconceito, não é, Mas o impacto não é tão grande.

    Agora, no exemplo do personagem Félix, na verdade ele é um "bi" né? Mas, se eu me colocasse no lugar dele, não sei se chegaria a um casamento para "manter as aparências". Prejudica muito a outra pessoa! Difícil decisão!

    Mas cada um no seu tempo!!!

    Tenho certeza que chegará um dia que todos aceitarão muito bem a homossexualidade.

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  26. Oi Chris, tudo bem contigo?

    Estou atrasado, né? Sei disso! Mas não vou te pedir desculpas, não... rsrsrs... Sabes que também ando um tanto corrido e por isso estou demorando, tanto que, quanto minha esposa nas novas lidas dos blogs que mais gostamos. E claro, estar por aqui, no teu é um verdadeiro privilégio, todas as semanas.

    Mas, vamos tratar do assunto que você aventou.

    Nos dias de hoje manter-se no armário é no minimo covardia, seja consigo mesmo, seja com os iguais.

    E quando eu falo em iguais não estou levando em consideração ser hetero ou homo. Pra mim, todos, indistintamente, são nossos iguais.

    A rede globo, em se falando de novela, trás mais um tema para cutucar a comunidade como um todo. Isso é bom, uma vez que assim, da forma que as coisas são mostradas, faz com que o povo pense e repense melhor seus conceitos.

    Conheço muitas pessoas que vivem em dois mundos, tentando enganar antes de mais nada, à si mesmo. Passando ao outro o que não são.

    Psicologicamente, se estas pessoas soltassem-se seria melhor tanto para sí, quanto para os que lhe estão ao seu redor.

    No entanto, com a força das novas tecnologias. Com os levantes das redes sociais. Com o povo nas ruas, felizmente podemos dizer que muita coisa está mudando. E se ainda tem gente com medo, com receio de libertar-se, vai me desculpar a sinceridade, talvez até eu esteja sendo injusto, mas é frescura.

    Como sempre, teus textos, sobre assuntos como estes, são bem ácidos. Por isso que gosto de vir sempre aqui.

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  27. Pois é. Antigamente era até inteligente se preservar mais quanto abrir o jogo com o mundo: esse simples acontecimento poria a vida qualquer GLBTT do avesso. Hoje não há vantagens - Tenho uma amiga que cita como argumento a aproximação das pessoas, porque quando você chega aberto, só se aproxima de você quem realmente te respeita e considera. Quem não, por outro lado, já se afasta.

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  28. Olá. Eu gostei do seu texto, mas discordo da parte que critica quem está no armário. Eu ainda estou no armário pq tenho medo do que os outros vão pensar, e pq na adolescência era pega em casa vestindo roupas de minha irmã escondida em casa e apanhava muito de minha mãe. Me dei o nome de Carol Campos, tenho 39 anos moro no Rio de Janeiro, e não sei como me livrar do medo pra sair do armário e ser mulher feliz, me harmonizando e depois fazendo a operação.

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Eu sempre vou respeitar sua opinião, mesmo que não concorde com ela. Então, por favor, respeite a minha!

Comente com civilidade!

Se seu comentário foi recusado, certamente a explicação está aqui:

http://confissoes-femininas.blogspot.com/2011/07/comente-com-educacao.html