Faz um tempo que queria abordar esse tema, mas ele não ficava claro na minha mente para fazer um post. A verdade é que a culpa é o motivo que nos prende a situações sufocantes na nossa vida. Nos sentimos meio que sem ação, sem iniciativa para mudar, angustiados e paralisados ao mesmo tempo. A culpa nos sequestra e nos tornamos reféns dela.Na minha a vida a culpa agiu de duas formas bem marcantes, nos relacionamentos amorosos e familiares.
Nos relacionamentos amorosos, foram aquelas relações desgastadas que poderiam ter sido terminadas muito antes do que foram, mas se arrastaram por um tempo desnecessário, por preocupação de como o parceiro iria ficar. Sim, você sente uma culpa futura, caso você termine com aquela pessoa e algo dê errado com ela. E essa culpa te aprisiona numa relação que poderia terminar tranquilamente, mas que vai ficando sufocante. Porque quando nos sentimos culpados, a pessoa motivo dessa culpa, sabe disso, ela sente e usa ao seu favor. A gente não ficaria refém desse sentimento tão negativo, se a outra pessoa "pagasse o resgate", ou seja, se ela nos libertasse, se ela simplesmente nos deixasse ir. Ao invés disso, se cria um vínculo nebuloso, em que o "culpado" e "vítima" se unem num laço difícil de se quebrar. Esse é o pincípio da obsessão no Espiritismo, mas o post não é sobre obsessão... rs
No âmbito familiar quantos exemplos temos de culpa entre pais e filhos? Muitos! São filhos que manipulam os pais fazendo com que se sintam culpados e vice-versa. Tenho certeza que você que está lendo meu post agora já viveu isso, ou sabe de uma história.
Meus pais se tornaram velhinhos extremamente manipuladores de culpa. Nossa! É algo que beira ao doentio! E não era para ser assim, já que eu e meu irmão estamos sempre presentes. Tá certo que não me aproximo do meu pai por vários motivos. Mas não me aproximava dele antes de ficar velho, agora então ficou muito mais difícil, mas meu irmão é super presente na vida dele. Minha mãe tem a atenção de nós dois. Mas impressionante como nossos pais produzem uma culpa imensa na gente, só pelo fato de existirmos, de estarmos bem. É algo cruel! Minha mãe manipula toda a situação de forma a parecer que ela está abandonada. Só que ela não está, definitivamente, não! A coisa é tamanha que até minha cunhada já foi aprisionada por essa culpa e se tornou refém dela, também.
Tenho pensando demais sobre isso. Mas não é só agora, há alguns anos penso sobre esse poder da culpa. E tenho feito um trabalho diário na minha mente para não me tornar prisioneira de novas culpas e ver se consigo sanar as já existentes. Tenho feito grandes progressos!
Se livrar da culpa não é um processo fácil. Se fosse, ninguém ficaria nesse ciclo vicioso. Romper essa situação requer esforço e uma sensação de perda enorme. Quando "quebramos" um processo de culpa, um pouco da gente vai junto. Uma sensação infinita de que falhamos, de que fizemos tudo errado. Mas é preciso aguentar o tranco, para mais na frente sentir o alívio.
Comparo esse processo de culpa ao vício de drogas, você sabe que aquela situação te faz mal, mas permanece por pequenos alívios imediatos, sendo que dar um ponto final é que nos livrará e nos trará bem-estar verdadeiro.
Quanto a minha mãe, estipulei as ações que preciso fazer por ela. E o resto não permito que ela manipule mais. Não é justo! Tenho pena do meu irmão que está muito mais enredado nesse processo todo. Nem sei se um dia ele vai conseguir melhorar isso para ele. Mas o meu dever comigo mesma é tentar tornar isso o menos doentio possível na minha vida. E isso farei!
E você? É refém da culpa?