Auto-estima...
(Eu tive que escolher entre auto-estima do dicionário que tenho aqui no PC e autoestima do site que me dita as novas regras... Bem... Como temos ainda um tempo de adaptação, vou ficar com auto-estima, que acho mais bonitinho... rs... E se preparem porque o post é grande...rs)
Dia desses li esse post no blog da J@de e fiquei com vontade de escrever sobre auto-estima. Porque pra mim é o principal aspecto de nossa personalidade que deve ser cultivado e melhorado o tempo todo.
Houve um período grande em minha vida, principalmente na adolescência e início da fase adulta em que minha auto-estima era quase nula. Creio que por fatores familiares, por não ter recebido nenhum estímulo positivo dos meus pais. Durante boa parte da minha vida, me sentia a última das criaturas. Olhava as pessoas ao meu redor como seres superiores, como se todos pudessem tudo e eu nada. Uma sensação de inutilidade e vazio que acredito foi o fator principal que me levou às drogas e ao álcool.
Nesse período lembro que qualquer gesto de carinho de alguém, eu recebia como se tivesse fome de afeto. Gostava das pessoas pelos que elas me davam de atenção. Auto-estima baixa e carência andam juntas, uma alimenta a outra.
Na minha trajetória de vida, para que eu pudesse me tornar a mulher independente que sou hoje, tive que passar por muitas mudanças externas e internas. As externas foram necessárias para que me sentisse uma mulher plena, capaz de seduzir fisicamente. As internas foram muito mais dolorosas, são mais difíceis pra todos, por isso a gente tem sempre o movimento pra fora, de culpar o mundo e a sorte pelos nossos fracassos, mas, sem dúvida, grande parte da nossa estagnação está muito mais ligada a bloqueios internos do que a responsabilidade das pessoas, dos pais e tal...
Os pais não têm culpa por tudo que acontece de merda na nossa vida, mas uma boa auto-estima está diretamente ligada a uma criação em que se deu o incentivo certo da medida certa. Sim! Porque medida é importantíssima, aplausos em exagero para os filhos, os tornam adultos impossibilitados de se doar, ficam mal acostumados em sempre receber reconhecimento. Aplausos de menos, geram crianças inseguras, carentes, com baixa auto-estima, sempre em busca de migalhas. Se eu tivesse um(a) filho(a), certamente esse seria o ponto que ficaria mais atenta.
Tive que fazer muito esforço interno pra quebrar aquela programação negativa da minha infância, em que tudo que fazia era feio, sem valor, ou errado. Confesso que é um exercício diário que pratico até hoje, e tem momentos em que fraquejo e me sinto a última das criaturas, mas ainda bem que são apenas momentos. Hoje em dia consegui montar uma vida da qual me orgulho. Tornei-me uma mulher com uma auto-estima capaz de poder escolher o que me serve em termos de relacionamentos, sejam eles de qualquer natureza.
Atualmente não me apaixono por quem gosta de mim, como era no passado. Me apaixono quando me encanto pela pessoa. Minha auto-estima se elevou a ponto de poder escolher... Mas continuo dizendo, não foi algo fácil!
Fico feliz comigo mesma quando olho minha trajetória de autodestruição e percebo que consegui me tornar uma pessoa funcional e bem adaptada na vida. Fico feliz quando percebo que não me apaixono pelo ficante só porque ele me deu carinho, presente, atenção. Fico feliz quando simplesmente deixo o amigo que não dá a atenção que mereço, seguir a vida dele. Sinto-me feliz quando noto que me basto, não de uma forma egoísta, mas na medida em que consigo apreciar a minha própria companhia e valorizar a vida que tenho.
Gente! É possível! Não sei qual é a fórmula, porque isso aqui não é livro de autoajuda, mas certamente se você tiver força de vontade e determinação, vai saber encontrar seu caminho. Dica: Dê uma melhorada no seu visual, isso ajuda muito! Não precisamos todos ter uma beleza estonteante, nem sermos as criaturas mais fodonas do planeta, apenas termos o melhor que pudermos de nós mesmos e isso qualquer um pode conseguir...
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As duas artistas da minha vida (parte 1)
Existem duas artistas que fizeram parte de toda minha vida. Claro que podem não ser do gosto de muita gente, mas eu as adoro. Hoje falo sobre uma delas.
Quando escutei Maria Bethânia pela primeira vez, eu deveria ter uns 13 anos de idade. Eu como sempre na contramão, enquanto a "pivetada" escutava os sons barulhentos dos adolescentes, eu ficava encantada com aquela voz grave da Bethânia. Quando vi uma foto dela, achei sua imagem muito feia, esquisitona mesma, parecia um travesti. Mas tinha algo que não sabia explicar e que me encantava. Continuei escutando seus discos, porque naquela época era só vinil, e me encantava cada vez mais com sua voz e jeito de cantar.
Um dia passou um especial na TV, em que ela participava. Nossa! Foi paixão a primeira vista. Aquela mulher tem um encanto todo próprio. Ela é marcante em cena, feia e bonita ao mesmo tempo. Feia na medida em que não se rende a padrões estéticos. Linda pelo carisma, pelo talento, por sua presença que tem luz própria. Depois vendo suas entrevistas, eu simplesmente ficava rindo pra TV, querendo ter aquele encanto único de Bethânia.
Continuei seguindo sua carreira por toda a adolescência, comprando seus discos. Até que um dia fui a um show dela. Nossa! Ela é uma "cantriz". Seu show sempre mistura interpretações de textos em que exercita seu lado atriz, com suas músicas, que também são interpretadas com sentimento.
A presença de Bethânia no palco é uma aparição, algo mágico, único. Ela não se sujeita às escovas progressivas, às plasticas, ao Botox, sequer pinta os cabelos brancos, mesmo assim impõe respeito, é dona de um altivez invejável. É um patinho feio com alma de belo cisne, o que se mistura o tempo todo, e resulta numa presença especial.
Se eu tiver que escolher a cantora da minha vida será Bethânia, porque ela esteve presente desde o inicio da minha adolescência, até hoje e vai durar pra sempre. Ela me encanta a todos os momentos.
Fiquei no Youtube durante dias tentando escolher um vídeo para esse post, achei tanta coisa sobre Bethânia que me perdi. Entrevistas, shows, participações com outros cantores... Enfim, foi difícil escolher um, então escolhi dois, em um ela canta, em outro recita um texto.
E pra finalizar, fica uma frase sobre sua voz, dita por Vinícius de Moraes: - A voz de Bethânia tem a força de uma árvore em chamas!
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Sempre cantei essa música para muito de meus amores desfeitos, é uma canção que me acompanhou durante a vida...
Esse texto eu decorei ainda bem nova e nunca esqueci. A interpretação de Bethânia é suprema, o texto é lindo e me traduz bastante. Enfim, só vendo, apesar da qualidade da gravação ser ruim.
CÂNTICO NEGRO
(José Régio)
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"



