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domingo, 7 de abril de 2013

A versão verdadeira da questão da minha voz...



É bom poder fazer posts agora que falo de tudo abertamente, parece que tirei um peso virtual das minhas costas... rs. Sei que posts que falam de doença e problemas de saúde são totalmente impopulares, não agradam a maioria e muitos pulam e nem lêem; experiência de blogueira de anos e anos. Mas esse aqui achei que deveria fazer porque muitas pessoas me perguntaram a  respeito assim que abri sobre a transexualidade.

Sim, a cirurgia que fiz na minhas cordas vocais teve tudo a ver com a transexualidade, não foi calo nas cordas vocais, não foi nenhuma doença que apareceu. Apenas eu tinha dois tons de voz, um grave que parecia o Cid Moreira falando e um outro tom mais agudo em falsete, que usava desde da puberdade. O tom grave era forte mas totalmente rejeitado pela minha mente e emoção, aquela voz nunca me traduziu como pessoa. O tom agudo em falsete era aceito pelas minha emoções e mente feminina, mas por ser um tom criado "artificialmente" tinha todos os inconvenientes possíveis, era menos potente, cansava quando falava e com o tempo fui percebendo cada vez mais cansaço ao usá-lo.

Depois de tentar tratamento fonoaudiológico sem sucesso. Descobri um tal médico que todos diziam muito bom num tipo de cirurgia que tornava o tal tom grave, masculino, em um tom agudo, feminino. Muito animada com a idéia, amadureci, coloquei como meta e em maio de 2010, paguei um valor alto pela cirurgia que ocorreu em outro estado, Rio Grande do Sul. 

Só que por algum motivo de um carma que me persegue. A tal técnica não sutiu efeito. O médico abre a garganta com você acordada e manda falar com o tom grave para ver se o procedimento tornou aguda a voz, só que não tornou. Então o médico mandou me anestesiar, dormi e quando acordei o inferno estava instalado. 

Ele me disse que como a técnica não tinha surtido resultado, teve que fazer uma decorticação na corda vocal, sem minha autorização, que no português claro, é tirar a pele da corda vocal para que ela se torne mais fina. Só que isso causou um dano irreversível na corda vocal. Hoje estou processando o médico e blá blá blá, não vou me estender.

Das duas vozes que tinha, restou uma péssima. Hoje em dia minha voz não é audível em ambientes barulhentos, com ruídos, as vezes basta uma música ligada para abafar a minha voz. Enfim, não é uma voz que funcione na grande maioria dos ambientes que a vida nos faz frequentar. E isso me trouxe um prejuízo social grande.

Vamos lá para as frase que ouço quase que diariamente e que me irritam profuuundamente:

- Você está rouca? É gripe?
- Nossa, como você está rouca! 
- Gritou muito? Você tá rouca demais.
- Ahhh, não sua voz não é tão ruim assim quanto você pensa. (quando estou num lugar sem nenhum barulho)

Na internet:

- Ahhh você tá vendo coisa, sua voz não é tão ruim, eu ouvi no vídeo que fez e não acho que é tudo isso! (No vídeo eu estou de cara com o microfone dentro de um quarto fechado sem nenhum ruído)

Quanto as frase que minimizam a questão faço a seguinte pergunta: - Alguém que passou por tudo que passei, inventaria um problema só para fingir que a vida tá pior?  Sinceramente não preciso disso!

Poucas coisas na vida me arrependi de ter feito. Nesse caso sinto uma  imensa e quase insuportável culpa de ter escolhido fazer esse procedimento. Se tivesse ficado quieta no meu canto nada disso estaria acontecendo e estaria com meu falsete que funcionava.

P.S: Há alguns anos atrás, escrevi um livro que conto a história da minha vida. Amigos pessoais e pessoas que se interessaram, leram o livro e todos disseram gostar bastante. Na verdade é a minha história até o momento da transformação. O livro é tipo romance, conta a minha infância, juventude e todo processo autodestrutivo. O personagem principal é masculino e se chama Jeremias. Pretendo escrever a continuação, que seria a fase da transformação do corpo e tudo que isso acarretou, logicamente a personagem seria feminina nesse novo livro. Quem se interessar em ler o livro está publicado em um blog, só clicar no nome abaixo:
UNILATERAL 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O dia que a ficha caiu...


Hoje recebi alta da minha cirurgia, ou seja, depois de várias consultas de revisões do pós-cirúrgico, vários exames, a médica chegou a conclusão de que esse era o resultado esperado da cirurgia da voz. E quando a gente recebe alta, era para ficar feliz, mas voltei com uma sensação da ficha ter caído. Ao receber a alta cheguei a conclusão que minha voz tem um limite e um limite muito menor do que sonhei um dia. Limite que jamais pensei que teria quando fiz a primeira cirurgia lá com o outro médico que estragou tudo.

Vim comendo uns biscoitos no ônibus e pensando que agora o que devo fazer é deixar a ficha cair mesmo. E deixar de ter esperanças exageradas e passar a ter esperanças reais, que significa entender que não terei mais uma voz com volume normal.

Posso conseguir pequena vitórias com a fono, mas acho que devo parar de sonhar que um dia vou acordar com uma voz fantástica que surpreenderá até a mim mesma. E trazer nossas expectativas para que encontrem a realidade, requer abrir mão de sonhos. Mas chega uma hora que é preciso fazer isso, caso contrário o grau de frustração só tende a aumentar.

Podem achar que essa é uma forma pessimista de encarar a situação. Eu digo que não, pessimismo é quando a gente desiste de algo sem mesmo tentar. Pessimismo é achar que não vai conseguir. E eu tentei muito, tentei todos os caminhos disponíveis e agora me vejo obrigada a aceitar um fato.

Digo que não é fácil ter uma limitação física. E só sabe disso quem tem alguma. As pessoas não percebem o quanto aquilo te faz sofrer. Estão a sua volta e não estão percebendo sua angústia. E por outro lado a gente faz de tudo para não transparecer que estamos sendo afetados. Mas quando deitamos à noite na nossa cama, sabemos onde o calo aperta.

Mais uma vez não sei bem porque estou colocando isso aqui. Acho que porque blog serve para isso também, para desabafo, para a gente dizer coisas que não diria normalmente para as pessoas a nossa volta, para manter a sanidade. Enfim, para alguma finalidade tosca que no final resulta só num desabafo mesmo.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Renascendo das cinzas...


Depois de 12 dias sem computador, uma cirurgia, uma complicação no pós-cirúrgico, minha família não me ajudando e me atormentando com problemas e outras coisitas, me sinto realmente a Dama de Cinzas, renascendo das cinzas, porque parece que um terremoto, um incêndio, ou algo assim passou pela minha vida.

Vou contar a história do início e de forma bem resumida para não cansar. Em maio de 2010, fiz uma cirurgia nas cordas vocais, que não foi bem sucedida, ao invés de ficar melhor do problema, a minha voz piorou muito, porque o médico utilizou procedimentos que não autorizei e que sabia que eram arriscados. Evidentemente estou processando esse médico.

Devido a isso, de maio de 2010, até agora, travo uma batalha com fonoaudiólogo e pesquisando saídas que fizessem minha voz voltar. Nem preciso dizer o quanto faz falta ter voz. A voz é a nossa expressão, é como nos relacionamos com o mundo, é o que marca e reafirma nossa personalidade, é o que movimenta sua vida social, profissional e etc. E eu vi tudo isso indo pelo ralo nesse período. Por isso muitas vezes eu vinha aqui reclamar que a vida não tava legal, mas não abria o problema, porque não me sentia preparada para isso.

Depois de muito procurar, achei uma médica maravilhosa. Um ser humano incrível que tem me dado a maior força e que me sugeriu uma nova cirurgia, que foi a que fiz no dia 11/10. Só que como não vim ao mundo a passeio, a coisa não poderia ser simples...rs. Tive uma complicação no pós-cirúrgico, um grande edema, que causou uma produção excessiva de muco que foi aspirada para o pulmão, provocando uma bronquite aguda. Corria até risco de vida, caso a passagem do ar para os pulmões fosse bloqueada. Mas fui socorrida a tempo e agora está tudo bem melhor.

Mas toda essa complicação modificou o andamento do resultado final da cirurgia. Minha voz ainda está rouca e baixa. Mas a médica disse que está andando bem. O bom é que por essa técnica, se precisar de um retoque ela pode fazer. Algo que me deixou mais animada.

Mas no dia que cheguei de volta do hospital, pela segunda vez, com muitas dores, sem poder falar nada e com muita falta de ar. Ligo meu pc e deu tela azul. Meu HD pifou e levou com ele anos da minha vida que estava ali. A sorte é que tinha um backup no HD externo, mas este está infectado por um vírus que o técnico não consegue eliminar. Ainda vou procurar outros técnicos para ver se consigo resgatar esse backup.

Impressionante que quando pifa o computador dessa maneira, a gente percebe o quanto a gente estruturou nossa vida em cima do PC. Eram minhas planilhas de gastos, tanto com as contas, como com salário e cartão de crédito. Tudo isso perdi o acesso. Fiquei perdida com minhas finanças e tudo isso numa hora em que tava ainda me sentindo muito mal fisicamente e pior, sem poder falar. O computador seria a minha voz nesse período e fiquei sem ele. Teve dias que minha única comunicação com o mundo era mensagem no celular, e até esse bendito achou de perder o sinal. Eu ficava rodando dentro de casa em busca de um sinal.

O bom é que o que não mata nos fortalece!rsrs. E agora acho que o pior passou, e ficam as conclusões, a experiência para ser usada em outras situações semelhantes. A voz não sei ainda como vai ficar, mas prometo que quando ela tiver boa eu divido isso aqui, porque certamente será uma vitória e uma grande alegria!

P.S. No meu Google Reader, tem 613 posts novos dos blogs que sigo, de vocês que me prestigiam aqui. Vou pedir um pouco de paciência, porque estou trabalhando no resgate do que perdi no pc, mas paralelo a isso vou me atualizando e lendo os blogs que sigo.