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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Como passei nos concursos públicos... (PARTE FINAL)


A cada prova que fazia, um desgaste emocional tomava conta de mim. Porque sabia, intimamente, que meu caminho era aquele, que era aquilo que queria para minha vida profissional naquele momento, e pesava demais o fato de estar desempregada e ter que me submeter a todas as vontades da minha família e também ouvir coisas bem desagradáveis e engolir calada.

Em algumas provas tive febre emocional logo depois, tamanho era meu nervosismo e tamanha era a minha expectativa

Fiz concurso para o Tribunal de Justiça, Tribunal de Alçada Criminal, Tribunal de Contas do Município, Tribunal Regional Federal, dentre outros concursos menores que pagavam menos.

A cada prova que fazia e via que não tinha obtido a pontuação máxima, chorava e achava que não ia conseguir, mas depois enxugava as lágrimas e continuava. Em todos fiquei classificada muito próxima das vagas oferecidas, então não era chamada inicialmente. E isso me matava por dentro, porque não aceitava fazer tanto esforço e não conseguir. Mesmo assim continuava. É a minha determinação e gosto disso em mim, me ajuda muito, porque fraquejo, mas não desisto, quando realmente quero algo.

Um dia chegou uma carta na minha casa me chamando para um desses tribunais que listei acima. Lembro da minha felicidade nesse dia. Chorava e ria ao mesmo tempo. Finalmente depois de tanto esforço, via um retorno, algo de concreto acontecendo.

Fui tomar posse do cargo e quando a moça colocou no quadro o salário que iria ganhar, quase não acreditei. Era muito para mim naquela época. A satisfação íntima que senti foi algo que não posso descrever e por isso aconselho a quem quer seguir esse caminho, que o faça, mas com muita vontade e não desista nos primeiros fracassos.

Logo depois todos os tribunais que listei acima me chamaram. Mas o primeiro para onde tinha ido pagava mais e desisti dos outros concursos.

Para minha família continue sendo a mesma fracassada de antes, mas com o fortalecimento da minha autoestima pude neutralizar a influencia negativa deles. Não foi um processo fácil. No ínico tentei provar de todas as formas que tinha mudado, como eles não quiseram enxergar, eu me mudei pra longe... rs. Mas "recompensei" financeiramente o que gastaram comigo e até hoje ainda faço isso.

Ter sido chamada para quase todos os lugares que fiz prova, foi algo que deu um impulso novo na minha vida. Finalmente, senti que era capaz de conseguir o que queria colocando a minha determinação para funcionar. E foi assim que mudei muito, mas muito mais coisas da minha vida e hoje em dia posso dizer que não me sinto mais aquela derrotada do início da minha vida adulta.

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Dicas para quem quer realmente passar num concurso público:

- O foco é importante. Tem que ser a prioridade na sua vida, mesmo que tenha outras responsabilidades. Esse tem que ser um desejo verdadeiro e não algo importado dos outros. Algo do tipo "meus pais acham que isso é bom", ou "Fulano fez e passou vou tentar pra ver o que acontece". Você tem que acreditar que é o seu caminho. Você precisa acreditar que é capaz e que vai conseguir.

- Não desista nas primeiras derrotas. Lembrem-se de que nunca passei dentro do número de vagas oferecidas, mas é importante ficar bem classificado, pois muitos órgãos chamam bem mais do que o número de vagas oferecida e é aí que você entra. Foi aí que entrei! Então tentar um, dois, cinco, dez concursos até se classificar bem.

- Claro que essa nem precisava dizer. Mas é importante estudar. Não só ir ao cursinho e fazer os exercícios em aula. Isso raramente faz alguém passar, só se a pessoa tiver uma brutal capacidade de assimilação. Os exercícios são fundamentais, pegue as provas dos concursos anteriores, adquira caderno de exercícios. Foi fazendo muitos exercícios que consegui fixar a matéria na minha mente.

- Faça grupo de estudos. Isso incentiva demais, primeiro porque você percebe a força de vontade do outro e isso te estimula. Rola sempre uma competição e isso pode ser usado ao seu favor também como estímulo. Um ajuda o outro na parte que domina mais. Foi super positivo para mim.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Como passei nos concursos públicos... (PARTE 2)


Não tinha credibilidade alguma junto a minha família, estava saindo de mais uma queda no vício de drogas e álcool, que se misturava com um quase permanente estado de depressão. Mesmo assim resolvi arriscar pedir ajuda, porque estava mais uma vez desempregada.

Cheguei até minha mãe, que sempre foi a pessoa que mais tive acesso, mesmo sendo pouco e contei da minha vontade de tentar realmente os concursos públicos. Senti que inicialmente ninguém acreditou muito em mim, porque todos me viam sempre desistindo de tudo e em deprê. Então disse que se eles me ajudassem dando, apenas, casa e comida, me empenharia de verdade em passar num concurso público e assim deixar de ser um peso para a família.

Eles já não me davam mesmo nada além de casa e comida, mas na minha situação, naquela época, isso já era muito. E assim ficou combinado. Peguei um dinheiro que tinha de uma rescisão e me matriculei num cursinho para o concurso do TRE. E a partir daí a minha melhor qualidade, a que me é mais útil, entrou em ação. A minha determinação em atingir um objetivo quando realmente quero no fundo da alma.

Estudava de domingo a domingo. Só parando para fazer as tarefas domésticas que me cabiam, era uma forma de pagar pela ajuda deles. Então eu faxinava a casa, mantia tudo sempre em ordem e estudava. Essa foi a minha vida durante um ano e meio. Não saía, não me divertia, só estudava, trabalhava em casa e estudava...

Passei no concurso do TRE, mas não fiquei entre as cento e vinte vagas oferecidas. Fiquei em 152º lugar. Nunca fui chamada para esse concurso, mesmo tendo uma boa colocação. No entanto foi ele que me abriu essa porta. A partir dele comecei a comprar a Folha Dirigida e me inteirar de todos os concuros existentes. E fiquei obcecada pela idéia de passar.

Nos cursinhos comecei a fazer amizade com a galera que queria o mesmo que eu e fazíamos grupos de estudo. Muito bom isso e indico, porque um estimulava o outro, sem contar que alguns são melhores em algumas matérias que outros e assim suprem as deficiências de cada um. Fiz amizades que me seguiram por um bom tempo da minha vida.

Ter descoberto esse caminho foi o que ajudou no meu processo de deixar de ser a ovelha negra da família. Passei a ter uma atitude mais positiva perante a vida, larguei as drogas definitivamente e nem bebida alcoólica consumia, porque nada poderia me atrapalhar no objetivo que tinha traçado.

Minha família percebendo minha obstinação, até ficou mais amistosa, mas nunca perdi totalmente o estigma de anti-modelo. Sempre fui vista como o peso da família, mas naquele momento de forma mais amena.

Isso não me importava, porque sabia que uma hora chegaria onde queria.

(TERMINA NO PRÓXIMO POST)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Como passei nos concursos públicos... (PARTE 1)


A LALY me escreveu sugerindo que eu contasse minha história de como passei nos concursos públicos. Achei a idéia super legal, porque queiram ou não, esse ainda é um caminho profissional seguro e que muitas vezes oferece salários que não ganharíamos na iniciativa privada.

Bem, tudo começou com meu primeiro emprego, que como já contei aqui era um lugar onde não me respeitavam, não gostavam de mim e muito menos eu deles. Era um trabalho que me fazia muito mal, me levava à depressão constantemente porque as tarefas realizadas eram idiotas, as pessoas mal humoradas, o chefe tinha preferências escancaradas e eu não fazia parte delas. Muito pelo contrário, houve uma época que todas as pessoas com a mesma função que eu receberam um aumento gordo e fui a única que recebi uns trocados, uma quantia quase que simbólica, que me deixou com muita raiva ao ponto de começar a forçar uma demissão.

Comecei a chegar atrasada, a não fazer o trabalho porque queria de verdade que me mandassem embora. E foi o que aconteceu, com o fundo de garantia pude me manter por uns meses procurando outro emprego.

Mas a coisa foi bem mais difícil do que imaginava, não fiz faculdade, até tentei umas cinco vezes (quatro vezes depois que passei no concurso público), em três carreiras diferentes, mas como meu sonho sempre foi medicina ou algo na área e nunca pude fazer, porque precisava trabalhar para me sustentar, acho que acabei não conseguindo me animar a levar as outras carreiras nada a ver com área da saúde.

Bem, sem uma faculdade, sem saber línguas e sem um curso profissionalizante, o que me aguardava no campo profissional era sombrio. Havia dias que chorava muito por não saber o que fazer, tanto da minha vida pessoal, que estava um completo caos, como da minha vida profissional. Vivia em um processo autodestrutivo brabo.

Comecei a buscar emprego de forma obssessiva. Mas o que conseguia, era sempre bem ruim, pagando pouco e exigindo muito. E ia me desmotivando por perceber que não tinha futuro, isso me desanimava e entrava em deprê. Virou um ciclo vicioso de desânimo, depressão, vícios, empregos ruins, salários péssimos e uma alta rotatividade em empresas pequenas sem nenhum futuro.

Um dia uma amiga me mostrou um anúncio de jornal que informava sobre um concurso para o TRE. Na mesma hora algo clicou dentro de mim. Vi o salário que era bom, vi a possibilidade de uma carreira segura. Senti intimamente que aquilo era o que queria tentar de verdade.

(CONTINUA NO PRÓXIMO POST. Parte 2 na terça, parte final na quinta)