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domingo, 21 de novembro de 2010

Bullyng - Eu sofri...

Inicialmente ia pegar esse selo, na cara de pau, do blog A Vida sem Manual, da Patricia Daltro! rsrs... Mas aí a Elaine Furtado fez um post com o selo e repassou o assunto para quem a seguisse... rs...

Quero tocar nesse assunto, porque eu sofri bullyng no meu tempo de colégio e de uma forma pesada!
Naquela época esse tipo de agressão não tinha nome. Sequer atenção era dada a quem sofria! Os professores fingiam que não estavam vendo, a direção do colégio era omissa. E se fosse contar para os pais, eles ainda brigavam contigo dizendo que você tinha que reagir, revidar. Pode ser que não tenha sido assim com todos que estudaram na mesma época que eu, mas me senti totalmente abandonada, jogada às feras.

Tudo piorou de verdade quando completei, mais ou menos, 12 anos e dois defeitos físicos que propiciavam a zombaria de outras crianças/adolescentes da mesma faixa etária, ficaram mais evidente, porque era o início da puberdade, fase em que todos voltam a atenção para o corpo. E o que já era ruim, ficou terrível! Porque se engana quem acha que criança é só indefesa e boazinha, quando se juntam contra as outras, podem ser mais cruéis que muitos adultos.

Quando entrava numa nova sala de aula para estudar, meu coração já estava acelerado, pânico era o que sentia, porque sabia que o inferno iria começar e obviamente meu temor e insegurança atraía rapidamente o olhar dos líderes de grupinhos, que geralmente são os mais desumanos.

Assim fui sofrendo calada até o último ano do ensino médio, que para mim foi o pior de todos. Fui transferida para um colégio novo e não conhecia ninguém, mas assim que entrei na sala, senti que aquilo iria virar um inferno. Uma bagunça geral já no primeiro dia. Uma turma visivelmente hostil. Acho que todos já se conheciam de outros anos. Sentei num canto e abaixei a cabeça, absolutamente morta de medo. Sabendo que nunca ninguém iria me ajudar, só eu mesma para me defender, e quando se é uma adolescente com autoestima de barata, isso é muito difícil.

Já no primeiro dia de aula, atraí a atenção do líder dos meninos e da líder das meninas. Dois seres cruéis ao extremo. E pra completar eram namorados. Então fiquei numa posição imediatamente muito ruim. Eles conseguiram chamar a atenção de toda turma para cima de mim, cantando musiquinhas idiotas e todos rindo de mim. Aquilo parecia um pesadelo que se repetia a cada ano. Nem preciso dizer que minhas notas eram as piores.

Um dia, o casalzinho fez um corredor de alunos para fazerem chacotas assim que saísse da sala. E tive que passar por eles. Aquilo foi me deixando tão atordoada, o rapaz líder se colocou na minha frente e começou a gritar. Totalmente descontrolada, meti um tapa na cara dele. Todos riram dele e percebi que aquilo iria ficar muito pior.

Fui embora para casa chorando e quando chegava em casa, tinha que disfarçar, porque meus pais não me apoiavam em nada. Dizia que eu era frouxa e por isso aconteciam essas coisas comigo. E no fundo acabei acreditando que era uma medrosa mesmo. Sentia muita culpa por tudo aquilo, achava que de alguma forma permitia que aquilo acontecesse.

No dia seguinte voltei às aulas e estranhei que todos me deixaram em paz. Me senti aliviada. Talvez meu tapa tivesse resolvido. Grande ilusão! Na hora da saída um grupo, liderado pelo tal rapaz do tapa, me esperava na porta do colégio, rapazes e garotas. E como tinha chovido, tinha muita lama e todos começaram a me atirar lama, imediatamente fiquei toda suja. Paralisada, só sabia chorar. Impressionante como o restante se omite por medo, olham com pena, mas se afastam! Mas nesse dia uma menina veio me socorrer e disse que iria me ajudar e me levou para a casa dela, que era próxima dali. Eu contei tudo para ela, disse que não poderia chegar assim em casa. Ela pediu a mãe que lavasse minha roupa, colocasse na secadora de roupas, enquanto isso tomei um banho.

No dia seguinte, essa menina, que veio se tornar minha amiga, foi comigo à secretaria, contamos o ocorrido e pedimos minha transferência para a turma dela, que era da mesma série. Fui para lá. Mas o inferno continou, só que bem menos do que foi na primeira turma.

Difícil passar em post o que é a dor de ser humilhada diariamente por pessoas que não ligam nadinha o quanto aquilo te fere. Muitas pessoas lembram da época de colégio com saudades, eu lembro como um grande pesadelo, bem difícil de suportar.

Hoje em dia não tenho mais a tais características físicas que propiciavam tudo isso. Fiz cirurgias que corrigiram. Mas o meu trauma de sala de aula, esse nunca me abandonou. Até hoje quando entro numa, mesmo sabendo, racionalmente, que nada disso vai se repetir, o medo está lá, meio que me paralisando. Não fico à vontade em salas de aula, nunca!

Resolvi contar isso, porque muitas crianças e adolescentes estão passando por isso agora e pode ser seu filho, seu sobrinho, uma pessoa que goste e que esteja paralisada pelo medo, sem querer se abrir, por culpa, por insegurança! Ou pior, seu filho pode ser o agressor. Ainda bem que deram um nome para isso, porque é uma questão séria e tem que ter mesmo atenção de pais e profissionais da área.