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domingo, 25 de agosto de 2013

Na Moral - Transgêneros

Ando muito sem assuntos para posts, meio sem vontade de escrever, de interagir de uma forma geral. Acho que ando pensativa com questões difíceis de enfrentar e que estive em contato recentemente. Enfim, fases que todos nós temos.

Mas não poderia deixar passar o programa Na Moral dessa semana que foi sobre transgêneros, não só sobre transexualidade mas a maior parte do programa foi sobre questões transexuais. Achei fantástico! Sinto que aos poucos a transexualidade começa a ter visibilidade, coisa que a homossexualidade já conquistou faz tempo. E visibilidade é tudo, com ela vem o esclarecimento, o conhecimento da questão, a quebra dos mitos e tabus. Espero que essa onda continue. 

Para quem se interessar mais um programa que vale a pena ver:


domingo, 23 de junho de 2013

Manifestações, memória, perguntas e vídeo...



Eu poderia fazer um post sobre como fiquei feliz com as manifestações sociais dessa semana que passou, mas qualquer coisa que fosse dizer, só iria repetir o que alguém já disse a respeito, li muitos posts e matérias que expressavam exatamente a minha opinião. Então fica aqui o meu apoio a todas essas manifestações e dizer que fiquei orgulhosa de ser brasileira. Sempre achei que essa forma "bovina" que o povo tinha de aceitar tudo enfiando a cara no futebol, carnaval e cerveja era algo muito prejudicial. Agora vejo uma luz no fim do túnel. Espero que a coisa não pare por aí. Agora que o povo descobriu que pode ser ouvido, que continue reivindicando seus direitos.

Minha memória é muito ruim, do tipo ruim preocupante mesmo. Acho que quando ficar velhinha vou ter alguma dessas demências senis, porque não é normal a forma como esqueço tudo na minha vida. Às vezes isso me favorece, mas na maioria das vezes me deixa mesmo é em boas saias justas. Daí surge um assunto para eu fazer um post e vou direto pesquisar no meu blog para ver se já escrevi sobre aquilo. E ultimamente quase todos os assuntos sobre os quais quero escrever, pesquisando, percebo que já dissertei sobre ele e do jeitinho que estou pensando. Me dá uma tristeza que só. Em muitos momentos acho que os assuntos se esgotaram, que é melhor fechar o blog, ou tirar mais umas férias, sei lá...

Daí o assunto que eu tinha previsto para escrever hoje, já tinha escrito sobre ele. Então me surgiu a idéia de responder algumas perguntas idiotas e outras nem tanto que vieram a minha mente:

1) Pense no dia mais feliz da sua vida. Pensou?  - Garanto que não tem a ver com coisa, mas sim com sentimentos. É uma realidade, fiz esse teste com várias pessoas e nenhuma disse que foi o dia que ganhou alguma coisa, ou comprou algo, ou fez algo, mas sim muito a ver com pessoas e sentimentos mesmo. Eu sei qual foi o dia mais feliz da minha vida, foi em junho de 2004 e sim tem a ver com uma pessoa por quem fui muito apaixonada. E olha que nem sou tão romântica assim...

2) Qual a coisa, situação, pessoa que se te faltasse faria sua vida mais infeliz? -  Pensei nisso e acho que a coisa que mais me veio a mente foi meu emprego. Acho que sem ele minha qualidade de vida cairia muito. Claro que a saúde está em primeiro lugar, sem ela nada importa, mas acho que para exemplificar uma mudança de situação na vida, acho que o emprego me deixaria bem infeliz se eu o perdesse.

3) Qual a coisa, situação, pessoa que te faria mais feliz se você a tivesse? - Certamente que no meu momento atual, seria ter minha voz razoavelmente funcional de volta. Acho que isso tem melado todas as áreas da minha vida, então no momento seria o que me faria mais feliz, com certeza.

4) Qual a coisa banal que não pode faltar na sua vida, porque se faltar, deixa de ser banal e se torna prioridade? - Certamente café... rsrs. Sou uma viciada total em café. Já parei de usar drogas, já larguei os dois maços de cigarro que fumava por dia, parei de roer unha. Mas pensar em ficar sem café me dá arrepios. Já acordo e vou direto para o fogão fazer café, onde estou tem que ter café, exceto claro, se tiver tomando bebida alcoólica.

5) Qual a característica psicológica que adora em você e a que detesta? - Que eu adoro é a minha determinação quando quero realizar algo. O que mais detesto no momento é minha extrema ansiedade que me faz sofrer bastante, principalmente a ansiedade com o futuro.

6) Qual a característica física que gosta em você e qual a que detesta? - Gosto da minha boca, da minha cor de pele e não gosto do meu cabelo e do meu pé (prefiro deixar a voz de fora dessa... rs).

7) Qual a característica psicológica que mais admira nos outros e qual a que mais detesta? - A que mais admiro é inteligência emocional apurada. A que mais detesto é mau humor, mas muita gente acha que rir de tudo e contar piada é sinônimo de bom humor, enquanto que para mim o  bem-humorado é aquele sabe aproveitar o tempo certo para dar leveza as situações, muito relacionado com inteligência e bom senso. Em oposição, o mal-humorado é aquele que pesa sempre com suas observações inconvenientes.

8) Qual a característica física que mais te chama atenção e a que mais te esfria em alguém? - No homem, ser magro é o que mais valorizo, pode ser feio, baixo,  careca, mas se for magro, já tem muitos pontos. A que definitivamente acho horrível é homem de bunda grande, sabe aquela bunda que de tão grande balança? Afffeee!! Pode ser o mais lindo,  não dá... rs. Nas mulheres o que mais me chama a atenção é um cabelão bonito, o que mais acho feio, em oposição ao homem, é mulher sem bunda... rs.

Quem quiser responder as perguntas em seus blogs, ou nos comentários, ou em lugar nenhum fique à vontade... rs.

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Fico feliz quando vejo transexuais bem resolvidas e batalhadoras como essa do vídeo, um exemplo a ser seguido por muitas. Reparem no namorado dela! Que homem lindoooo! rsrs

domingo, 16 de junho de 2013

Sexualidade: Sair ou não do armário?

Se tem uma pessoa que pode falar sobre esse tema com tranquilidade essa pessoa sou eu. Tive no armário por breves períodos, em momentos em que era mesmo para me salvar, mas nunca foi a situação que me sentia confortável e protegida, era angustiante para mim pensar que estava mostrando algo que não era eu. Portanto, rapidamente, tratei de enfrentar tudo e todos e pagar o preço, que não foi baixo, por escolher viver fora do armário o máximo possível.

Daí alguém vai dizer! Mas você ficou no armário durante quase cinco anos aqui no blog. Não nego que era uma espécie de armário, mas só algo parecido, já que nunca tentei aparentar algo que não era. A minha vida não é o blog, o blog é uma parcela ínfima do que sou como pessoa, aqui é apenas um lugar que coloco alguns dos meus pensamento. No meu cotidiano não vivo em armários. E se a gente for cavucar mesmo a vida de cada blogueiro, vai me dizer que todos contam absolutamente tudo de cara? Claro que não, a gente vai conquistando nosso espaço, os leitores, para depois abrir as questões mais densas. Se tem exceções? Tem, sim!! Eu mesma no meu primeiro blog, assumi de cara desde o primeiro post que era transexual e ainda colocava meu nome completo e foto. Acho que tive mais problemas em colocar meu nome todo, do que propriamente com a questão trans.

A novela Amor à Vida trouxe um tema interessante que é questão do personagem Félix, um gay não assumido, de armário, que se casou com uma mulher para levar uma vida de fachada. É bom quando novelas colocam temas polêmicos, porque a sociedade passa a debater a matéria. Debates normalmente levam a esclarecimentos e acho válido, mesmo que o formato de novela seja algo direcionado para um pessoal que não quer pensar muito. Mas nada contra, sou noveleira assumida.

Há muitos anos atrás, quando eu me apresentava como um gay na sociedade, já era assumida(o) no trabalho, em casa, para os amigos. Nunca criei relacionamentos e historinhas para fingir ser quem não era. Se sofri por conta disso? Muito! Porque tudo isso foi numa época em que a violência contra os gays era a mesma de hoje, o preconceito era escancarado, não existia o politicamente correto para amenizar nada e não exista na sociedade nenhuma representação ou luta pela causa gay, então era cada um por si. Sofri muito sim, mas acho que mesmo assim ainda valeu mais que ficar no armário

Engana-se quem acha que transexual é aquela que desde pequena se veste como mulher e chega na adolescência toda feminina. Principalmente as trans da minha geração foram muito sufocadas por um preconceito mais pesado. Diria que a grande maioria das trans da minha idade simplesmente não conseguiram se assumir, muitas formaram uma família no papel de homem, vivendo vidas falsas, completamente infelizes. Eu conheço inúmeras histórias. 

Pela minha experiência, paguei um preço mais alto, bem mais alto por me assumir transexual, do que quando me assumi gay, parece que a sociedade ainda segrega mais que tem a minha questão sexual. Mas não é algo que possa afirmar com certeza, só que comigo senti que foi assim.

Sei que o que vou dizer pode gerar uma polêmica, mas se digo é porque tenho conhecimento do assunto, pois vivi. Posso entender porque uma pessoa viveu no armário há trinta anos atrás. Já que a sociedade era bem outra, você não tinha nenhum apoio externo. Mas não consigo entender muito bem o motivo de uma pessoa viver no armário nos dias de hoje, em que sair do armário ajuda da luta contra o preconceito, já que tem tantos movimentos a favor do questão LGBT, já que a mídia ajuda, o politicamente correto ajuda. Ficar no armário é simplesmente lavar as mãos, é dizer que aquela causa não é sua, é não colaborar em nada, é deixar o "trabalho sujo" nas mãos dos outros. Se você não quer levantar bandeiras, ir a passeatas e etc, tudo bem!! Mas é essencial ser verdadeiros consigo mesmo e com quem te rodeia, com as pessoas que fazem parte da sua vida. Já pensou que você pode não mudar uma sociedade, mas pode mudar a cabeça de algumas pessoas?! Eu mudei!!

Não assumir sua sexualidade ou questão de gênero, é bem como disse a jornalista Barbara Gancia: "A pessoa tem todo o direito de ficar no armário, ela não é obrigada a abraçar nenhuma causa,  mas ficando no armário, ela só está exercendo mesmo o direito de ser infeliz sendo quem não é". Amei essa frase porque resume tudo que acho e vivi a respeito. E sonho com o dia que todos possam sair dos seus armários com menos dificuldades.

domingo, 12 de maio de 2013

Quem lida bem com rejeição?



Eu não lido bem com rejeição, mas quem nesse mundo lida bem? Não há uma pessoa que ao ser rejeitada ache aquilo natural ou sem importância. Se disse, está mentindo, ou então quem a rejeitou não tinha tanta importância assim na sua vida. Mas não sofremos rejeição só de quem gostamos, podemos ter o nosso jeito de ser e pensar rejeitado pela sociedade e isso também faz a gente sofrer e muito.

Nem preciso dizer o tanto que sofri rejeição pela vida afora, foram em todas as esferas e de todos os jeitos que alguém possa imaginar. Qualquer questão ligada à esfera sexual, mexe demais com o interior das pessoas. Basta ver o tamanho da polêmica que é a aprovação do casamento gay, até em países evoluídos como recentemente na França. 

O problema de ser rejeitado, é que sempre dói, não existe experiência de vida que faça a gente ficar imune quando nosso modo de ser, pensar, ou agir é reprovado por um grupo, ou até mesmo por uma pessoa que seja enfática em sua desaprovação. O que podemos fazer com o tempo é cada vez mais criar mecanismos para lidar melhor com essa situação.

No início, ser rejeitada por conta da transexualidade era algo que me detonava completamente. Mas com o passar dos anos fui vendo que, ou eu me reerguia o mais rápido possível, ou não sairia do chão emocional que as pessoas me jogavam o tempo todo. E assim fui trabalhando isso até chegar a um ponto, que quando a rejeição vem, balanço, mas me mantenho de pé e saio com menos tempo daquele mal estar que fica dentro da gente.

Ao mesmo tempo que sei que tenho mais forças hoje em dia, sinto que rejeição é uma ferida com casca, quando a gente pensa que sarou, que não dói mais,  vem algo e expõe aquele machucado novamente.

Atualmente não passo por tantos episódios de rejeição porque, hoje,  na sociedade sou percebida com uma mulher nascida mulher, exceto se falar para as pessoas, mas geralmente só falo quando aparece uma situação em que precise me posicionar, não nego, mas também não saio publicando no jornal, não tem necessidade. Mas nem sempre foi assim, principalmente quando comecei a tomar os hormônios, tem um período de mais ou menos 3 anos em que a gente fica com uma aparência entre os dois sexo, ali eu sofri horrores de todos os tipo, tinha medo de sair na rua. Aliás só saía para trabalhar e para compromissos inadiáveis. As pessoas me perseguiam na rua dizendo todos os tipos de desaforos. Às vezes eu precisava correr mesmo pelo medo de ser agredida. Em qualquer lugar que entrava tinha que lidar com gente me apontando, rindo de mim. Ainda bem que aquilo passou.

Seja no meu caso, ou no caso da mulher linda, loura, bonita, que se sente rejeitada em algum momento, a rejeição dói do mesmo jeito, para todas as pessoas. Mas continuo reafirmando o que penso; não é o que sentimos que faz a diferença, mas o que fazemos com o que sentimos.

domingo, 21 de abril de 2013

A família X sensação de felicidade...

Exatamente por não ter tido apoio da minha família, ou um apoio truncado em algumas épocas da minha vida, do tipo quando eles percebiam a possibilidade de que eu pudesse me transformar no modelo que eles esperavam e não eu mesma, é que comecei a analisar no decorrer da minha vida a influência da família na nossa sensação de bem estar, e digo que tem toda a relação com isso. Pessoas que tiveram uma família mais bem estruturada, com apoio, respeito e incentivo, são pessoas mais felizes no geral. Faça um exercício rápido e pense nas pessoas que você acha feliz e as que acha infeliz e suas respectivas famílias. Claro, gente, que se tratando de ser humano tem sempre as exceções, nada é tão matemático.

Quando era percebida apenas como homossexual, minha família até tolerava, com muitas ressalvas, sem nenhuma admiração por nada que fazia, mas me tolerava, a gente conseguia pelo menos conviver. Quando comecei a transformação do corpo, acho que na mente deles foi como se dali para frente não tivesse mais jeito, estaria perdida para sempre, um ser estranho que eles rejeitavam mesmo. Até acho que meu pai e minha mãe tentaram em um determinado momento aceitar, mas certamente isso foi demais para eles. Não conseguiram lidar com a situação, aliado ao meu irmão que sempre jogou contra, o resultado foi falta de apoio, de incentivo, de participação. Todas as minhas vitórias eram encaradas por eles como coisas estranhas. Um dia me cansei e meio que desisti de todos. Essa minha história é a mesma de grande parte das transexuais, talvez por isso as trajetórias se pareçam tanto.

Essa semana vendo o programa Conexão Repórter no SBT, o assunto foi transexuais e e todo o processo que envolve a transformação do corpo. Ali pude perceber dentre tantos outros detalhes interessantes, porque o programa é muito bem elaborado, que mais uma vez a família pesa na construção de um ser humano.

Foram mostradas duas transexuais, uma mais bem sucedida, a Vivan, que teve o apoio da irmã. É o que sempre digo, às vezes basta um ente da família, não precisa você ter toda ela ao seu favor, mas um mínimo de apoio. E participou do programa a Bruna, que já teve uma vida marcada por muitos tropeços. A Vivian teve o apoio da irmã, a Bruna rejeição da família.

Vendo o depoimento das duas, acho que me identifiquei com a trajetória das duas, porque minha vida é mais bem estruturada hoje em dia como a da Vivian, mas a Bruna passou pelo vício das drogas, pelo submundo, pela autodestruição,  coisa que também já vivi. Os caminhos que cada pessoa segue também depende de uma série de fatores, como a época que a pessoa viveu, de como estava a sociedade, personalidade, não só a família é a culpada de tudo, óbvio.

Entretanto creio que a família é a nossa base é a estrutura da nossa personalidade e por mais esforços que a gente faça para reconstruir o que não foi construído lá nas bases, fica sempre faltando algo, um pedaço, um elo perdido, uma peça que não se encaixa. Fica um vazio que nada preenche, mesmo que a gente faça de tudo para aquilo sanar. É claro que podemos estar bem "apesar de", mas pessoas sem incentivos da família, dificilmente terão um íntimo bem estruturado.

Para quem quiser assistir o programa é muito bom, com transexuais muito bem escolhidas para dar o depoimento, o que foi dito e a nossa realidade. O médico que operou a Vivian foi o mesmo que me operou e aparece no programa. Segue a primeira parte abaixo, mas tem todo o programa no Youtube.




domingo, 14 de abril de 2013

Desvendando mitos sobre transexualidade.

 (foto de Nany People, transexual que admiro)
Eu sei, gente, que tenho falado muito sobre o assunto, mas é que esses posts estão há anos engasgados e preciso escrevê-los, mas podem ficar tranquilos que meu blog não vai rodar só em volta desse assunto para sempre... rs. Existem muitos mitos, pensamentos errados a respeito de nós transexuais e sinto necessidade de esclarecer algumas coisas para quem é leigo no assunto.

Existe muita confusão entre homossexuais, transexuais e travestis. Para a sociedade é tudo uma variação de gay, mas na realidade os três são bem distintos entre si. Hoje vou abordar algumas idéias erradas que fazem de nós transexuais.

1) Transexual é um travesti operado - Definitivamente não! Travestis não anseiam pela cirurgia, não se sentem pertecendo ao sexo oposto ao do seu nascimento. Travestis tem uma identidade social feminina, gostam de serem percebidas como seres femininos, mas não rejeitam o seu sexo, seu órgão sexual é fonte de prazer. Transexuais se sentem no corpo errado, rejeitam absolutamente os seus órgãos sexuais de nascimento e anseiam ardentemente corrigir esse erro. Transexuais detestam serem percebidas pelo sexo de nascimento, travestis não se importam com isso, desde que possa se mostrar como ser feminino. Opere uma travesti e certamente você terá uma pessoa deprimida com risco de suicídio. Opere uma transexual e ela será agradecida por toda vida. Por isso precisamos passar por tantos testes antes da cirurgia, para que os médicos tenham certeza de que somos mesmo transexual.

2) Transexual é um gay que cortou o pênis - Nossa! Como ouvi isso pela minha vida toda e continuo ouvindo hoje em dia. Não, gays não querem se operar, nem mesmo serem vistos como mulher. Gostam de pertencer e serem percebidos pelo sexo que nasceram, mesmo que ajam de forma diversa, uns mais masculinos outros mais femininos. 

3) Transexual é um travesti que se operou para conseguir mais homens - Esse é o pensamento mais errado que existe. Transexuais geralmente tem a sua vida sexual e amorosa muito prejudicada pelo preconceito. Se transformam fisicamente ou aparentemente numa mulher, mas a grande maioria dos homens não as vê desse jeito e rejeitam. Travestis tem um grupo de homens que preferem se relacionar com "mulheres com pênis". Então se fosse para conseguir mais homens, melhor ficar com o pênis, porque tirá-lo, definitivamente não aumenta a quantidade de homens, pelo contrário, diminui.

4) As transexuais só sentem atração por homens - Não! Tive um grupo no Yahoo, que muitas transexuais se inscreveram e grande parte delas é bissexual, e uma outra parte gosta de mulher mesmo. Sei que isso dá uma pirada de 180 graus na mente de qualquer um. Mas se a gente pensar que transexualidade é uma condição ligada ao gênero e não à sexualidade, dá para entender um pouco que seja. A pessoa se sente pertencente ao sexo oposto ao do seu nascimento, mas pode sentir atração por homem, mulher ou pelos dois. Uma coisa é totalmente separada da outra. Mesmo que quase todos, inclusive parte das transexuais, rejeitem totalmente essa idéia. Mas é a real, podem acreditar.

5) A cirurgia de mudança de sexo corta o pênis da transexual - Primeiro que não se fala cirurgia de mudança de sexo, mas cirurgia de transgenitalização, porque sexo de verdade, cromossômico, esse não muda, continuamos sendo XY. Não se amputa o pênis e joga fora, o que se faz é aproveitar todos os tecidos do pênis, com exceção dos testículos que são realmente descartados, e é feita uma cirurgia plástica usando esses tecidos, criando uma vagina,  inclusive preservando a inervação para que os orgasmos sejam mantidos e eles são mantidos

Bom acho que esses são os maiores mitos, talvez os que mais me incomodam, mas existem outros que talvez, oportunamente, ainda comente. E se por algum momento alguém achar que a gente cisma que não gosta do nosso sexo, assim como como alguém não gosta do tipo de cabelo ou outro aspecto do corpo, se imagine por um minuto dentro do corpo do sexo oposto ao da sua mente, não é uma cisma, é algo bem real e imutável. Ninguém seria burro ao ponto de escolher isso para si, não é uma escolha.

domingo, 10 de março de 2013

Relacionamento amoroso X transexualidade.


Primeiro quero agradecer imensamente a todos pelos comentários de apoio no post anterior. Esperava apoio de muita gente, claro, mas o apoio que veio foi algo tão grande, dos amigos blogueiros queridos que me acompanham, de pessoas que liam meu blog em silêncio, de pessoas que nem comentavam mais meus posts, mas que deveriam continuar lendo. Foi um mega apoio que me surpreendeu positivamente e me emocionou. Não sei dizer qual comentário foi mais legal, qual meu tocou mais profundamente. Enfim, meu enorme agradecimento a todos.

E como esse tema de hoje foi a dúvida de alguns, resolvi abordar primeiro. Até porque depois da transformação total do corpo e documentação, a questão mais difícil de lidar, é se devo contar que sou transexual para o parceiro e qual a melhor hora de fazê-lo.

É certo que se você olhar com olhos de ver para mim, vai perceber traços que podem levar a pessoa a presumir minha transexualidade. Mas garanto que na grande maioria das vezes, só se olhar com olhos de ver. Mas dentro de um relacionamento amoroso a coisa é mais complicada porque envolve sentimentos. Muitas transexuais optam por não falar, ou dizer que nasceram hermafroditas, dentre outras mentiras mais absurdas. Depois de tentar não contar,  de tentar contar,  todas as alternativas combinadas, cheguei a conclusão de que só me interessa ter um homem ao meu lado se ele for capaz de lidar com a minha história de vida. Se for preciso eu mentir que sou hermafrodita, isso ou aquilo para disfarçar a situação, simplesmente não vou me sentir inteira nesse relacionamento e nem me interessa ter esse homem ao meu lado. Mas essa minha postura é polêmica, tanto para quem é trans como para quem não é. As opiniões se dividem, mas a minha é essa e é a que me faz me sentir melhor comigo mesma.

Gostaria de esclarecer que os homens que se relacionam com transexuais são heteros (ou bissexual), mas nem todo hetero quer, gostaria ou aceita se relacionar com transexuais. Homossexuais masculinos  não se relacionam com as transexuais. Uma lésbica pode se interessar por uma transexual e vice-versa.

Quando fiz a minha cirurgia já estava com meu corpo modificado e levando uma vida feminina. Achava que a partir dali tudo seria fácil, que eu encontraria um cara legal e pronto. Mas a vida me mostrou que nada é cor de rosa assim, depois de passar por todas as dificuldades naturais que todos tem para encontrar um parceiro, depois de todas sanadas, aí a transexual esbarra em mais essa, imensa, contar ou não contar e quando contar.

E digo que toda a experiência nesse setor não serve para nada. Porque cada homem é uma cabeça única e lida de forma totalmente particular em relação a isso. A hora de contar também é uma incógnita, se demora a contar alguns homens podem se sentir enganados, se conta de cara o estigma pesa tanto que afugenta o cara. Então tudo tem que ser na intuição, talvez por isso a minha seja bem desenvolvida... rs.

Minha vida amorosa como gay, antes da transformação do corpo, era boa, porque me relacionava de igual para igual. Eu estava no papel de homossexual e o cara no papel de homossexual. Mesmo que minha postura fosse sempre do passivo, o lado feminino da relação por assim dizer. E claro que nem todos homossexuais estava dispostos a isso, mas sempre encontrei os que estavam.

Já como transexual transcionada minha vida sentimental simplesmente ficou uma grande porcaria. Porque é a transexual se relacionando com o heterossexual, que não sofre nenhuma discriminação nesse setor, portanto sem vontade nenhum de importar um problema para sua vida. No início não tinha a menor idéia de que seria assim, mas com o tempo fui vendo o quanto os heteros são machistas e exigentes nesse quesito, pelo menos os homens brasileiros. Eles meio que exigem originalidade de fábrica... rs. E nessa eu perco, perco porque minha postura é a de assumir que sou transexual, então geralmente a coisa desanda.

E tem os homens que te enxergam como uma mulher menor, de uma classe inferior e acham que estão fazendo um favor em oferecer sua companhia e atenção. Esses realmente depois de identificados, é só deletar mesmo e seguir adiante, porque não vale nem que se pense neles.

A grande ilusão, fantasma, mito que envolve essa questão é que os heteros acham que ao estar ao meu lado, todas as pessoas vão saber que ele está se relacionando com uma trans, quando na prática isso definitivamente não acontece, só vai saber quem a gente quiser que saiba. Mas não adianta explicar isso.

Não vou dizer que digo para todos os homens que sou transexual, só para os relacionamentos mais sérios. Caras que eu fico uma noite, jamais vou dizer isso, porque não tem a menor necessidade. Mas se a coisa ficar séria daí vem todo o drama de quando contar e como contar. Digo que isso é tão horrível que meio que esfriei meus sentimentos para lidar com tanta rejeição.

Eu sei que tenho valor como ser humano e mulher que me fiz, mas isso diante do preconceito é quase nada aos olhos dos homens. Para eles o que conta mesmo é se tu nasceu mulher. Essa é a minha triste experiência nesse campo. Mas tenho aprendido um pouco a cada dia com tudo isso. Aprendido em como manter minha dignidade e minha autoestima, porque sem elas eu não posso existir satisfatoriamente. Dizer que não dói toda essa rejeição? Claro que dói, uns dias mais outros menos. Mas isso não me detona, continuo seguindo minha vida e se alguém perguntar se faria tudo de novo, digo que faria, porque não saberia continuar vivendo naquele sexo que não me pertencia.

quinta-feira, 7 de março de 2013

A minha confissão mais ácida!

(Foto de Léa T. Vai que alguém alguém acha que é minha...rs)
  
Esse foi um post muito pensado. Levei meses pensando se o escreveria ou não, porque a confissão envolve um tema mega polêmico, daqueles que fazem as pessoas repensarem tudo até então. Quando comecei a amadurecer essa idéia de abrir essa questão no blog, teve um momento em que pensei em simplesmente fechar o blog e criar outro onde já começasse a partir dessa revelação. Mas daí fiquei pensando em todas as pessoas que conheci nesses quase 6 anos de Confissões Ácidas e achei que valeria a pena correr o risco de lidar como o preconceito,  já que minha vida toda foi feita de recomeços. 

Sou uma transexual operada. Ou seja, nasci num corpo masculino, vivi uma vida masculina até a idade adulta. Passei por um estágio em que fui um gay daqueles bem afetados, já que nunca consegui me portar como um homem, muito menos pensar como um. Confesso que tentei ser homem com todas as forças que alguém pode tentar, namorei mulheres, tentei transar com mulheres, tentei me conformar com o meu corpo masculino e ser um gay, mas tudo foi absolutamente inútil. Minha mente feminina sempre clamava por uma mudança, por uma libertação daquele corpo que nada tinha a ver com meu jeito de ser e existir.

Para muitos, inicialmente, quando se fala a palavra transexual,  já vem à mente a imagem da travesti de prostituição, caricata, com aquela aparência ambígua e trejeitos exagerados. Nada contra travestis, nada mesmo, apenas transexuais não são travestis operados. Travesti é uma pessoa com uma identidade social feminina. Transexuais são pessoas com identidade de gênero oposta ao sexo que nasceu. É uma pessoa que tem a convicção íntima, imutável de não pertencer ao sexo de seu nascimento.

Quando era criança com meus 5, 6 anos de idade, já me sentia uma menina. Achava que quando chegasse na adolescência a natureza descobriria o erro que cometeu e eu desenvolveria corpo de mulher. Todas as brincadeiras que gostava quando criança eram de menina. E apesar de sempre ser obrigada a brincar com os meninos, dentro da minha mente de criança, vivia a fantasia de ser uma menina.

Na puberdade meu castelo desmoronou, meu corpo foi se transformando de acordo com o sexo que nasci e para mim aquilo foi a pior coisa que poderia ter me acontecido. Tive uma adolescência horrível, isolada, com raiva do meu corpo. Com uma família que não me apoiava e só piorava minha sensação de mal estar no mundo. Ali começaram as minhas tentativas de suicídio.

Na idade adulta, um pouco mais adaptada, mas não menos inconformada, entrei num processo autodestrutivo que envolvia drogas, álcool e sexo promíscuo. A vontade que tinha era de destruir aquele corpo que não me pertencia, a qualquer preço, e me empenhei nisso. Só que por força do universo, Deus, destino, ou como queiram chamar, não morri. Mas, sim, passei por um momento de transformação que tinha que decidir me matar de vez ou tentar buscar soluções para aquela questão.

Nessa etapa da minha vida comecei a reconstruir tudo, emprego, amizades, relacionamentos e fazer a mudança do meu corpo, não poderia viver naquele corpo masculino e assim o fiz. Foram anos de hormonização até chegar a cirurgia, logo depois a alteração do nome no registro de nascimento.

Hoje em dia vivo uma vida feminina em todos os sentidos. Mesmo que o fantasma da transexualidade continue assombrando a minha relação com a família, que foi totalmente detonada por essa questão. E meus relacionamentos amorosos, que simplesmente não vigam porque são poucos os homens que querem ter um relacionamento sério com uma transexual.  Essa questão com os homens já foi mais complicada na minha mente, não deixou de ser, mas hoje em dia não corro mais atrás de homens que não se sentem à vontade de ter um relacionamento comigo. Se eles não me enxergam como mulher, simplesmente não é um homem que valha a pena eu perder meu tempo gostando ou correndo atrás. Hoje em dia sinto uma facilidade maior de deletar esses caras, que são a maioria e que dói sempre que tenho que deletar, mas que cada vez consigo fazer mais rapidamente.

Talvez agora muitos entendam o motivo de eu fazer tantos posts dizendo que sou diferente, os posts sobre homossexualidade, os posts em que falo do relacionamento ruim com a família, os bulliyngs que sofri na escola,  os posts que falo de como gostaria de ser uma igual. Acho que sempre quis dizer que gostaria de ter nascido mulher, porque ser transexual não é legal, definitivamente não é. Não é a mesma coisa de ser homossexual, homossexualidade é orientação sexual. Transexualidade envolve questão de gênero de como existir, de como conviver com seu corpo, de como ser humano na sociedade em todos os setores. Inverter o sexo de um corpo é algo que te faz pagar um preço alto. Não quero dizer que uma questão seja mais difícil que a outra, elas se assemelham em alguns pontos e diferem bastante em outros.

A partir dessa revelação, obviamente todas as minhas postagens daqui para adiante sofrerão mudanças e essa era mesmo a intenção. Sempre esbarrei na dificuldade de fazer posts em que tivesse que explicar situações que envolviam a transexualidade, mas sem tocar no assunto. Então meus posts ficavam faltando uma explicação. Agora poderei ser mais transparente como costumo ser na minha vida cotidiana. Então acho que daqui para frente meu jeito de dizer as coisas pode passar mais por essa questão. 

Quem não se sentir à vontade, pode deixar de me ler e não precisa nem dizer tchau, porque vou perceber. Pasmem, muita gente se sente traída com essa revelação. Como se eu fosse uma criminosa que devesse sempre dizer o crime que cometi. Muita gente acha isso, que devo andar com um letreiro em neon piscando na testa. E não acho que seja por aí. Acho que nem preciso esconder, nem preciso anunciar aos quatro cantos do mundo. Na verdade não tenho nenhuma vergonha da minha história, muito pelo contrário.

Para quem se interessar em saber um pouco mais sobre a questão, sobre como foi e é minha vida, pode escrever para meu email, que se encontra aí no sidebar, ao lado dos posts. Só peço que use o bom senso na hora de fazer os questionamentos.

É isso...

P.S.: Não pretendo abandonar meu nick Dama de Cinzas. Por tudo que todos já leram sobre mim e mais essa revelação, tanto faz assinar meus posts como Márcia Cristina, Márcia, Marcinha, Cris, Cristina ou Dama de Cinzas. Podem me chamar como desejarem, mas esse pseudônimo não deixo, porque ele diz muito sobre mim.