Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador depressão. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Sobre chorar...

Quando eu era adolescente e até uns vinte anos, chorava muito pouco. Me parecia que chorar era um sinal de fraqueza diante da vida e como minha adolescência foi um período bem difícil, nada cheio de amores, nada cheio de amizades. Tinha muita solidão e problemas familiares. Por ter sido um período de muito estresse, achava que tinha que compensar isso com uma couraça de "não estou amolecendo".

Depois dos vinte anos, minha vida deu uma guinada pra fora. Eu passei a viver intensamente tudo, me droguei, me embebedei, fui promíscua. E desse turbilhão de emoções desencontroladas o choro começou a vir de forma mais fácil...

Teve uma época de depressão forte em que chorava até com comercial de margarina. Chorava no banheiro do trabalho, na mesa de trabalho, quando voltava pra casa, na rua. Nos finais de semana, sentava numa cadeira de balanço, que me acompanha até hoje, e ali ficava prostrada, chorando e vegetando em frente a TV. Ainda bem que não foi um período tão longo que pudesse ter atrapalhado minha vida.

Mas com a depressão eu aprendi a chorar. Hoje eu me permito levantar da cama, triste, olhar o sol entrando pela janela e chorar por causa de nada. Choro quando escuto música. Choro por algo alegre, algo triste. Choro de saudades e da falta dela também. Choro pelos amores que tive e os que não tive também.

Acho sinceramente que os homens carregam um peso enooooorme por não terem seu choro permitido socialmente. Homens só choram entre quatro paredes, ou quando o desespero já chegou ao ponto de loucura. Mulheres são privilegiadas, por poderem chorar em qualquer lugar e ainda receberem o carinho das pessoas. Tantas vezes chorei em ônibus ou mesmo no meio da rua e as pessoas me perguntavam se tudo estava bem. Se eu fosse homem seria do mesmo jeito? Talvez sim, talvez não...

Olhando aqui a minha cadeira de balanço onde aprendi a chorar, dou graças aos céus por essa dádiva que é o choro. Depois dele seu corpo relaxa, os problemas parecem menos cruéis, as tristeza parecem doer menos. E quando o choro é de alegria, parece que tudo fica completo, chegamos a um estado puro de êxtase...

E você? Tem chorado o suficiente?

P.S.: Beijocas públicas pra ti, Fofinho!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Depressão

"A depressão é uma doença "do organismo como um todo", que compromete o físico, o humor e, em conseqüência, o pensamento. A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.
A Depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar na "fossa" ou com "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço..." (
PsiqWeb)

Quero logo esclarecer que não estou em depressão, não estou me sentindo pra baixo, não estou infeliz! Estou ótima! Mas esse é um assunto que vejo como pano de fundo em muitos blogs. A pessoa sempre parece estar perdida em uma tristeza que nem ela mesma sabe explicar. Muitas vezes a depressão é a causa do término de muitos blogs e a pessoa nem tem consciência disso, porque essa doença afeta toda a sua capacidade de discernimento, de enxergar o bom e o ruim, tudo lhe parece péssimo.

Há alguns anos atrás, longe o suficiente para me sentir recuperada dessa doença, eu sofri de uma depressão forte. Ela começou na minha adolescência e entrou pelo início da vida adulta.

Na adolescência eu era acometida de umas fases de tristeza intensa em que tudo parecia sem cor, sem vida, sem rumo. Nada que acontecesse, ou fizesse me tirava daquele estado de desânimo que só me fazia chorar, me lamentar e querer morrer. Por sempre ter sido assim, achava que as outras pessoas também passavam por isso, que a vida era assim, que eu precisava aceitar aquelas longas fases de tristeza absurda, para depois vir uma fase de alegria relativa.

No início da idade adulta, essa depressão começou a influenciar todos os empregos que arrumava, uns eu perdi por conta dela e outros mal conseguia levar. A vida era um peso que eu aliviava bebendo, sempre bebendo muito, o que piorava o quadro de depressão. Meus namoros eram curtos e conturbados. Muitas vezes chegava ao trabalho, olhava o que tinha pra fazer, entrava no banheiro, sentava no chão, chorava, chorava e chorava. Nos finais de semana em que não estava bebendo, estava sentada numa cadeira olhando a TV e chorando.

É claro que minha vida não era direto assim, a doença depressão te dá uns períodos de trégua, em que você se sente bem disposta e otimista. A doença te "engana" fazendo você pensar que está melhor, que não precisa de tratamento , para logo em seguida cair numa nova crise. E é por causa desses períodos de bem-estar que o deprimido se recusa a achar que está doente.


Um dia, após ver uma reportagem sobre depressão, decidi finalmente procurar ajuda médica, um psiquiatra, que me receitou antidepressivos. Rapidamente me vi livre daqueles sucessivos quadros de tristeza profunda, mas era só parar a medicação que tudo voltava e nesse ritmo o tratamento durou quatro anos. Um dia finalmente, depois de levar o tratamento a sério, me vi livre daquelas crises longas e sucessivas de depressão. Hoje em dia continuo sendo uma insana desequilibrada... ehehehe... Mas pelo menos minhas depressões são raras e quando surgem, duram 1 ou 2 dias.

Tomei a iniciativa de expor a minha experiência para que outras pessoas que se sintam assim, não tenham "pudores" em procurar um especialista. Essa coisa de que psiquiatra é médico de maluco, é do início do século passado! O mundo evoluiu! Dê continuidade ao seu tratamento para que ele possa te livrar desse mal que mina todos os seus relacionamentos e empregos. Você perde tudo por causa da depressão. Essa doença tem um fator genético envolvido, perceba se outros parentes próximos têm os mesmos sintomas.

E pra finalizar quero afirmar que depressão é doença, não é frescura de gente fraca! Esse é um outro preconceito terrível que impede que o deprimido procure ajuda profissional.

É isso...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Sensação de vazio...

O louco é um anjo
De asa quebrada que voa
Sobre o rebanho dos iguais
Trocou a sociedade repressora
Pela sociedade do sonho
Sua alucinação é uma luz
Que devassa os porões de Deus

(INTERIORES - do talentoso
ANGELO ALFONSIN)

Você já levantou da cama um dia e sentiu falta de algo que não sabe explicar o que é, parece que seu peito está oco? Pois é, essa é uma sensação que me persegue, virou quase uma companheira indesejável.

Essa sensação de vazio vai minando você por dentro. Eu finjo que ela não está lá, que não existe, que é por causa disso, daquilo, mas têm horas que acabo sucumbindo por não saber em que buraco enfiar essa maldita sensação, até porque ela é próprio buraco!

Eu criei meus mecanismos para saber lidar com ela, mas não foi fácil chegar no ponto que estou hoje em dia. Já bebi muito em certas épocas, porque a bebida te traz a ilusão de bem estar. É uma ilusão deliciosa, mas que acaba com sua saúde e pra mim saúde é muito importante!

A sensação de vazio leva a depressões, que graças a Deus, não tenho tido mais e também às malditas crises existenciais.
Você já teve uma? Dizem que somente as pessoas inteligentes têm crise existencial e depressão. Eu tenho grandes dúvidas quanto a isso, mas prefiro acreditar que sim, pelo menos eu tenho o álibi de ser inteligente para sofrer dessas pragas que aniquilam com algumas fases da minha vida.

Têm certos dias que tudo parece perder o sentido. Seu trabalho não é o que você deveria ter escolhido. As pessoas se tornam insuportáveis, mesmo aquelas que lhe são agradáveis. Vem a vontade de fazer uma faxina na vida. Jogar fora o que presta e o que não presta, detonar tudo para começar do zero.

Ou simplesmente dá vontade de chorar, espernear, pedir colo, dizer que odeia, não falar nada bonito. Sentar numa poltrona e comer todas as porcarias engordativas que normalmente não comemos para manter a forma ou a saúde.

O mundo se torna um lugar inóspito, onde ninguém merece habitar. No seu blog só foram escritas grandes bobagens que precisam ser imediatamente deletadas para livrar a sociedade de suas asneiras.

Alguém já teve algum desses sintomas? Todos juntos? Alguns? Pelo menos um? Confesso, gente! Eu tenho uma crise existencial pelo menos duas vezes no mês, sem contar as outras semanais... ahahah! Talvez por isso eu busque tantos caminhos, fique paralisada, reclame, odeie, ame, tudo ao mesmo tempo! Houve uma época que achava que era bipolar, mas já descartei isso, acho que sou insana mesmo!

Mulher é mais chegada a esses chiliques emocionais! Talvez por causa dos hormônios, talvez por causa da complexidade feminina! Sei lá... Queria muito encontrar respostas para essa sensação de vazio, ela tá sempre lá me espreitando, como uma cobra venenosa esperando o momento certo...

Alguém arrisca um palpite? Só não vale me apontar um tanque de roupa suja pra eu lavar, porque isso já me disseram, lavei a roupa todinha e a sensação de vazio continuou... ahahah