"A depressão é uma doença "do organismo como um todo", que compromete o físico, o humor e, em conseqüência, o pensamento. A Depressão altera a maneira como a pessoa vê o mundo e sente a realidade, entende as coisas, manifesta emoções, sente a disposição e o prazer com a vida. Ela afeta a forma como a pessoa se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas.
A Depressão é, portanto, uma doença afetiva ou do humor, não é simplesmente estar na "fossa" ou com "baixo astral" passageiro. Também não é sinal de fraqueza, de falta de pensamentos positivos ou uma condição que possa ser superada apenas pela força de vontade ou com esforço..." (PsiqWeb)
Quero logo esclarecer que não estou em depressão, não estou me sentindo pra baixo, não estou infeliz! Estou ótima! Mas esse é um assunto que vejo como pano de fundo em muitos blogs. A pessoa sempre parece estar perdida em uma tristeza que nem ela mesma sabe explicar. Muitas vezes a depressão é a causa do término de muitos blogs e a pessoa nem tem consciência disso, porque essa doença afeta toda a sua capacidade de discernimento, de enxergar o bom e o ruim, tudo lhe parece péssimo.
Há alguns anos atrás, longe o suficiente para me sentir recuperada dessa doença, eu sofri de uma depressão forte. Ela começou na minha adolescência e entrou pelo início da vida adulta.
Na adolescência eu era acometida de umas fases de tristeza intensa em que tudo parecia sem cor, sem vida, sem rumo. Nada que acontecesse, ou fizesse me tirava daquele estado de desânimo que só me fazia chorar, me lamentar e querer morrer. Por sempre ter sido assim, achava que as outras pessoas também passavam por isso, que a vida era assim, que eu precisava aceitar aquelas longas fases de tristeza absurda, para depois vir uma fase de alegria relativa.
No início da idade adulta, essa depressão começou a influenciar todos os empregos que arrumava, uns eu perdi por conta dela e outros mal conseguia levar. A vida era um peso que eu aliviava bebendo, sempre bebendo muito, o que piorava o quadro de depressão. Meus namoros eram curtos e conturbados. Muitas vezes chegava ao trabalho, olhava o que tinha pra fazer, entrava no banheiro, sentava no chão, chorava, chorava e chorava. Nos finais de semana em que não estava bebendo, estava sentada numa cadeira olhando a TV e chorando.
É claro que minha vida não era direto assim, a doença depressão te dá uns períodos de trégua, em que você se sente bem disposta e otimista. A doença te "engana" fazendo você pensar que está melhor, que não precisa de tratamento , para logo em seguida cair numa nova crise. E é por causa desses períodos de bem-estar que o deprimido se recusa a achar que está doente.
Um dia, após ver uma reportagem sobre depressão, decidi finalmente procurar ajuda médica, um psiquiatra, que me receitou antidepressivos. Rapidamente me vi livre daqueles sucessivos quadros de tristeza profunda, mas era só parar a medicação que tudo voltava e nesse ritmo o tratamento durou quatro anos. Um dia finalmente, depois de levar o tratamento a sério, me vi livre daquelas crises longas e sucessivas de depressão. Hoje em dia continuo sendo uma insana desequilibrada... ehehehe... Mas pelo menos minhas depressões são raras e quando surgem, duram 1 ou 2 dias.
Tomei a iniciativa de expor a minha experiência para que outras pessoas que se sintam assim, não tenham "pudores" em procurar um especialista. Essa coisa de que psiquiatra é médico de maluco, é do início do século passado! O mundo evoluiu! Dê continuidade ao seu tratamento para que ele possa te livrar desse mal que mina todos os seus relacionamentos e empregos. Você perde tudo por causa da depressão. Essa doença tem um fator genético envolvido, perceba se outros parentes próximos têm os mesmos sintomas.
E pra finalizar quero afirmar que depressão é doença, não é frescura de gente fraca! Esse é um outro preconceito terrível que impede que o deprimido procure ajuda profissional.
É isso...